Maria Adelaide Bico (Lalai)
(1919-2023)
Para a Taizinha
Oh Lar! Que doce Lar
Que eu achei tanta piada
E já teres uma inscrita
A tua amiga Eduarda!
Oh Lar! Que doce Lar
Mas que grande brilharete
A segunda candidata
A tua amiga Graciete!
Oh Lar! Que doce Lar
Fá-lo com vaidadezinha
Mas inscreves a seguir
A tua amiga mãezinha!
Oh Lar! Que doce Lar
Desse cérebro que imagina
P´ra fazerem o Totobola
Incluis a D. Maria Cristina!
Oh Lar! Que doce Lar
Como é triste este fadário
P´ra auxiliar as senhoras
Anexas o cunhado Mário!
Fizeste a tua propaganda
Convidando a prima Dilar
Acompanhada do marido
Oh Lar! Que doce Lar!
E dentro deste contexto
Desta unidade. Deste nó
Na medida em que, portanto,
Fim de citação e não só!
Da anónima – P. B. B. A. M
Ao contrário – Maria Adelaide Bico Bispo Pessoa
Resposta à mana Conceição
Alcácer do Sal, Carnaval de 1976
Mas que grande admiração
Me causou esta cartinha
Estava longe de receber
Umas quadras amiguinhas!
Fazer queixa de uma mana
Que só tão bem a tratou
Bateu-lhe muito, é certo…
Mas foi quem a aturou!
Se bem me lembro eu sei
Ainda hà dias falei nisso
Mas afinal como é?
Que já te saíu do toutiço?
Embirrante como eras
O que querias que fizesse
Ana Faia me chamavas
Pedias que te batesse!
Bofetões quando zangada
Dentadas com muito carinho
Oxalá assim te tratem
Naquele ditoso Ninho!
Uma resposta não esperava
Mas talento tambem herdaste
Pouco falas, menos ris
E só pensas que me aturaste!
Não guardes para amanhã
O que podes fazer hoje
Se te queres candidatar
Fá-lo antes de morrer!
Com tanta candidatura
A um Lar tão eficaz
Ainda vêem do Brasil
O Caetano e o Tomaz!
Burgueses e proletários
Todos entram naquele ninho
E para haver igualdade
Tratam-se todos com jeitinho!
Podem mandar-me dizer
Se há mais alguma falta
Para poder prevenir
E avisar toda a malta!
Se a nossa santa soubesse
O que se passa por lá e cá
Fazia-nos um atentado
E tirava a mesada já…
O que diz a tua santa
A toda esta brincadeira
Que precisamos certamente
De desinfectar a mioleira!
Mandaste a carta sem selo
Para a multa eu pagar
Não podes negar, que filha
De peixe sabe nadar!
Faço versos bem bonitos
Incapaz de dizer mal
Para dizeres injustiças
Aproveitaste o Carnaval!
O Entrudo já acabou
Mas devo a esta responder
Pois como reacionária
Delicada quero ser!
Maria Adelaide
Quando da visita de Sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra
Alcácer do Sal, 25 de Fevereiro de 1957
Sátira
Umas damas que eu conheço
E julgam ser Alfacinhas
Deram a volta a Lisboa
Para verem bem a “Rainha”.
Saem sem cheta na carteira
E resolveram explorar
Uma certa criancinha
Que cai que nem uma “patinha”.
Isto até brada aos céus
Ai Jesus! Nossa Senhora!
Se lá está mais um dia
Tinha que ir para a penhora.
E se os pais da inocente
Não a fossem lá buscar
Envergonhava-se a pedir
Para poder regressar.
Assim acabou a história
Dumas festas Majestosas
Passearam e gozaram
E armaram-se em gulosas.
Ao Pedro
S. João do Estoril 20 de Maio de 1970
De camisa e de pulôver
De gravata, que sensação!
Um relógio p'ra condizer
Oh que tara! Que tarão!
Escrito num postal ao neto Pedro
Monfortinho, 18 de Agosto de 1973
Gostei muito
E obrigadinhos
Dos teus versos
Tão bonzinhos.
São lindos
E bem feitinhos
Do meu neto
Tão queridinho.
Lalai
Para o Pedro
Alcácer do Sal, 27 de Janeiro de 1975
Querido Pedro
Como já fazes treze anos
E já andas no Liceu
Será que já lês uma carta?
Talvez sim, talvez não, penso eu!...
Cada ano que vai passando
Vais tendo outro pensar
Se conseguires ler estas rimas
Decerto não me vou admirar.
Domingo de Páscoa faz um ano
Um ano de má memória
Faz com que não se repita
Da tua vida, esta história.
Hà quinze dias de madrugada
P’ra fazer chichi me levantei
Uma escorregadela no tapete
E um grande trambolhão dei!
Foi tão grande a pancada
Que até vi uma estrela
Já passaram tantos dias
E ainda me dói a costela.
Faz anos a trinta e um
E à Alzira vou escrever
Que nomes me chamará
Quando a acabar de lêr?
É só vontade de brincar
Nesta quadra de Carnaval
São versos de pé quebrado
Vê lá tu, se parece mal!
Da minha parte é só gozar
E não p´ra ficar zangada
O que pode acontecer
É ficar abananada!
Uma resposta não espero
Pois és um grande Calão
E como aborrecida não fico
Da Lalai, um grande Beijão.
Maria Adelaide
Poesia Lírica
Alcácer do Sal, 30 de Janeiro de 1975
Parabéns amiga Alzira
Por mais um ano chegado
Que junto de todos os teus
Ele seja bem festejado.
Que pena só gostares d’água
Com tantos vinhos de barril
Que pena não teres nascido
A 25 de Abril!
Tua amiga Maria Adelaide
Para o Emídio
Elisiário
Alcácer do Sal, 26 de Julho de 1975
Parabéns e Felicidade
Saúde, sorte e boa sina
Que seja realidade
O teres feito uma menina!
Aqui de longe te enviamos
Um abraço muito amigo
E também cumprimentamos
Elas, eles, te. ti, tigo
Dos amigos Mário e Lalai
Para a Maria
Joaquina, por o marido tocar na Banda
1975
A senhora tenha cuidado
O seu marido é brincalhão
Quando ele estiver sentado
Não lhe toque no Violão.
A senhora tenha cuidado
Não o pique com alfinete
Quando ele estiver sentado
Oferece-lhe um Clarinete.
A senhora tenha cuidado
Veja lá bem como é
Quando ele estiver sentado
Que fazer com o Oboé?
A senhora tenha cuidado
Álerta e não incauta
Quando ele estiver sentado
Amanda-lhe com a Flauta.
A senhora tenha cuidado
Ao beber xarope fino
Quando ele estiver sentado
Não queira tocar Violino.
A senhora tenha cuidado
Ao fazer-lhe partida gira
Quando ele estiver sentado
Obriga-a a tocar Lira.
A senhora tenha cuidado
Veja lá onde se agarra
Quando ele estiver sentado
Não pense na Guitarra.
A senhora tenha cuidado
Não queira ter telefone
Quando ele estiver sentado
É falar pelo Trombone.
A senhora tenha cuidado
E ponha-se bem a pau
Quando ele estiver sentado
Peça-lhe o Berimbau.
A senhora tenha cuidado
Sempre que sai uma anedota
Quando ele estiver sentado
Dá-lhe ração de Bolota.
A senhora tenha cuidado
Com a velhice vem o fim
Quando ele estiver sentado
Já a senhora não tem Flautim.
A senhora vai reler
Esta carta tão fadista
Se me mandar prender
É fascista, fascista, fascista.
Aniversário da D.
Alda - Domingo Magro
Alcácer do Sal, 2 de Fevereiro de 1975
Comadre, minha comadre
Sogra da minha filha
Não consegui telefonar
Fiquei que nem uma pilha.
Comadre, minha comadre
Avó dos nossos Bonecos
Desejamos-lhe muita saúde
Para chegar a Bisnetos.
Com cumprimentos do Mário e meus para o Sr. Pampolim e toda a família, enviamos um abraço de parabéns.
Maria Adelaide e Mário
Carnaval
Alcácer do Sal, 27 de Janeiro de 1975
Meu querido Nunecas
Para ti vai um beijinho
Se a Lalai tivesse Lecas
Mandava-te dinheirinho.
Mas…meu querido Nunecas
Sem bagalhoça não se passa
As bolsas estão sem Tecas
E a carteira não tem… Massa.
Pois é, meu querido Nunecas
Como plim-plim não avistas
Arranja umas Bonecas
Baratas, Boas e Bonitas
Lalai
Para a Maria
Joaquina - Carnaval de 1976
O ano passado escrevi
Uma carta à senhora
Com versos de pé quebrado
Mais valiam uma penhora!
Não conseguiu responder
Talvez por não achar graça
Nem me passava cartão
Quando me via na praça!
Mesmo na rua ou nas lojas
Sequer pra’mim olhava
E eu mortinha de festa
Até quási me mijava!
Toda a gente tem resposta
Diz o antigo rifão
Como não me respondeu
Não soube a sua reação!
Se quizer ser comunista
Para mim, não tem interesse
Se quer saber o meu partido
Eu cá sou do C.D.S.!
Agora vou terminar
Não quero ser maçadora
Desejo muita saúde
Prá família e prá senhora!
Para a Maria Joaquina
Que grande azáfama havia
Na casa da minha vizinha
Trabalho árduo e insano
Por causa duma mijinha
Ai marido, que aflição
Mas que grande mijadela
E ele de monco caído
Sem se poder chegar a ela
Para a Belinha,
quando do seu casamento
Com um beijo de amizade
Desejo que sejas feliz
E crê na sinceridade
Do que o meu sentir te diz!
Para a Maria
Natália - Carnaval de 1976
Mais vale tarde que nunca
Diz o antigo rifão
Quem espera desespera
De não saber a reação.
Apresso-me a responder
Senão acaba o Carnaval
Longe de mim a idéia
De ofender e dizer mal…
Prá minha filha coitadinha
Deus lhe dê futuro melhor
Lavar tanta chôcha murcha
E todas do mesmo teor…
Se a D. Graciete conversa
O que fazes então tu?
P’ra ocupares o teu tempo
Tens que limpar muito cú…
Coitadinho do Mairocas
Doente como ele é
Uma injeção da Eduarda
Punha-se bom e em pé…
Estou certa que em plenário
Teu cunhado venceria
As velhas de braço no ar
Apoiavam-no por maioria.
Um ninho só para rôlas
Isso é uma grande tristeza
Na companhia de um rôlo
Sempre tem outra beleza.
Eu no Além satisfeita
E o saber tão bem tratado
Rodeado de tanta velhinha
Nesse ninho abençoado…
Quanto á minha candidata
O que é que tu queres mais
Bate o record a papar
Lanches, missas e funerais!
Sanear uma fascista
Confesso que mete dó
Excluir uma benfazeja
Que não dá ponto sem nó…
Com os primos Capitalistas
Já não haveria objeções
A D. Cristina à vontade
Fazia a todos desinfecções…
Um ninho – lar tão mimoso
Com um horrendo passarão
Deplumavam as velhinhas
Com medo do Valadão…
Admitida a Vera Lagosta
Essa grande Democrata
Para já também te digo
Que é igual à tua lata…
A minha filha a lavar
A D. Graciete a palrar
A Eduarda a injectar
A tua mãe a rezar
A D. Cristina a desinfectar
O teu cunhado a medicar
Os teus primos a açambarcar
O Valadão a roubar
A Vera Lagosta a democratizar
A Maria Natália a governar
PARA TERMINAR
A Maria Adelaide não quer entrar
Neste tão amoroso Lar!
Ao Pedro
Meu querido neto
Aproveito a maré e apelo à tua benevolência
Uma carta eu recebi
Não queria crer de momento
Nem sequer contribui
P’ra perderes um fragmento!
Pôr uma carta no correio
Ser um acto emocionante
Na eminência não creio
De quem não é altivante!
Como embaixador autorizado
E mensageiro confidencial
Aqui vai este recado
De quem não te quer mal!
Tanto poder concentrado
Tão dolorosa sensação
Ía caindo p’ro lado
De me cortar o coração!
Eliminar tempo e distância
P’ra ti não tem valor
Fazes-me dar importância
E agradecer com louvor!
Meu neto, querido neto
Não te comovas tanto
Arranjaste um dialecto
Que foi todo o meu encanto!
Não era preciso agradecer
Pois o hábito faz o monge
Nem posso enaltecer
Quem anda sempre tão longe!
Um neto intelectual
Sem ter tirado um curso
É um caso magistral
Não faz figura de urso!
Os carteiros que diriam?
D’uma direção tão inédita
Nunca imaginariam
Ser dum neto catita!
Nem instrução nem cultura
Caduca e sem vergonha
Que quer esta criatura
Uma dose de peçonha?
Dou assim por terminada
Resposta à tua missiva
Já estou agoniada
E o palato sem saliva!
Um grande beijo da tua avó nº 4
(quatro) Maria Adelaide
Meu querido
Nuninho
Disseste-me ao telefone
Que eu a ti não escrevia
Mas tens falta de memória
Escrevi-te uma, outro dia.
Vou deixar de fazer quadras
Fico com a cabeça cansada
Pode alguém vir a pensar
Que eu estou amalucada.
A velhice traz muitas taras
A Lalai para lá caminha
Não quero que os meus netos
Me julguem uma maluquinha.
Até ao dia dezassete
Se Deus Nosso Senhor quizer
No casamento estaremos
Para comer e beber.
Tens que ir já pensando
Em um dia te casares
Escolhe uma cara bonita
Dá mais prazer a beijares!...
Jeitosa e em bôa forma
Não esqueças o que te digo
A não ser que prefiras
As maminhas e o umbigo!...
Adeus meu querido, beijinhos do avô e da Lalai
Para o meu neto
Pedro
Meu querido Pedrosinho
Minha cabeça de avelã
Adoras em 1º lugar
A mais que tudo Mamã!
Meu querido amorzinho
Como tu, igual não há
Preferes em 2º lugar
A tua querida Iá!
Meu querido netinho
Ágil, como andorinha
Escolheste em 3º lugar
A prendada da Avó inha!
Meu querido jeitosinho
És tão bonito Ó’i, Ó’ai
Deixaste para 4º lugar
A embirrante da Lalai.
Parece o campeonato
Da primeira divisão
Fiquei em último lugar
Amor do meu coração.
Quando eras pequenino
Oh! Tempo que já lá vai
Passavas dias em Alcácer
E gostavas da Lalai…
Não consigo uma resposta
Deste neto tão juvenil
Quer seja em prosa ou em verso
Antes, ou depois do 25 de Abril.
Beijinhos da Lalai
Para a D. Isabel
Ajuda
Há anos que para Alcácer
Uma senhora veio viver
Quando m’a apresentaram
Muito prazer em a conhecer!
É natural de Setúbal
Da terra do salmonete
Tem algumas qualidades
Mas tem um grande ginete!...
De vez em quando um passeio
Piquenique ou patuscada
Como é doente dos fígados
Nunca pode comer nada!...
Faz tão mal as digestões
Que não quer fazer Turismo
Já nem vem a minha casa
Com medo do Comunismo!...
Acho carradas de graça
Talvez por ser ignorante
Saúde, dinheiro e Amor
Quero lá saber do “Avante”!...
Cultura não tenho nenhuma
Tão pouco politizada
A instrução que me deram
Não me serve para nada!...
Que mais quer que lhe diga
Acha bem ou julga mal?
Mas é uma brincadeira
Já fora do Carnaval.
Um agradecimento
Enviados à Lili
Alcácer do Sal, 8 de Março de 1976
As quadras que tenho feito
Não são para guardar
Depois de produzir efeito
São logo para rasgar!
Servem de divertimento
Pois não tenho muito jeito
Mas só têem um intento
As quadras que tenho feito!
Só uma, a minha intenção
Apenas para brincar
Em passando a comoção
Não são para guardar!
Esgoto o cérebro a pensar
O coração e o peito
Mas não me ponho a chorar
Depois de produzir efeito!
Que dinheiro mal-empregado
Em mandar encadernar
Não é para estar guardado
São logo para rasgar!
Muito grata e orgulhosa
De tão boas intenções
É caso p’ra ficar vaidosa
Mas não tenho ilusões!
Como essa ideia só me elogia
Não posso levar a mal
Com versos sem categoria
Só por amor filial!
Este ano mais não rimo
Dou o gozo por acabado
Abraços, beijos do íntimo
Da tua mãe, um obrigado!
Maria Adelaide
Para a Júlia
Menina Júlia, menina Júlia
Quem a viu e quem a vê
Ainda bem que vem à escola
Para aprender o A B C.
Menina Júlia, menina Júlia
Quem a viu e quem a vê
Sempre a impar e a gemer
A suspirar não sei porquê!
Menina Júlia, menina Júlia
Que raio de operação
Tiraram-lhe o mal da barriga
Deixaram-na com comichão.
Menina Júlia, menina Júlia
Ai quem me dera a coçar
Não ía para o S. Pedro
O que eu podia tirar.
Menina Júlia, menina Júlia
Faz falta um maridinho
Acredite que a curava
Com beijinhos e carinho.
Menina Júlia, menina Júlia
Talvez não desse tantos ais
Veria como gostava
E ainda chorava por mais.
Menina Júlia, menina Júlia
Assim não pode continuar
Se anda sempre agoniada
Como é que se quer salvar.
Menina Júlia, menina Júlia
É tão jeitosa, tão boa
Vai direitinha para o Céu
Sem uma zaragatoa!
Menina Júlia, menina Júlia
Quando está para chegar
Começo logo a crescer
Mas depois… a minguar!
Menina Júlia, menina Júlia
Marmelada não quer fazer
O que se leva desta vida
É feito antes de morrer.
Menina Júlia, menina júlia
Escrevo com todo o coração
Já que Barimbau não quer
Trate-se com um C…………
O seu apaixonado (não digo o nome porque sou envergonhado).
À
Bina
Ficaste boa e formosa
Talvez por estar lindo dia
Ai que se o Bicho te visse
Diria: Óh!... QUE CATAGORIA!
Para
a Conceição
As minhas manas Catatuas
São parvas e não têm pena
Fazem-me rir e chorar
Como Maria Madalena!
Se fosse do conhecimento
Da Rádio Televisão Portuguesa
Faziam um Teleforum
Com este trio, de certeza!
A primeira carta que enviaste
Sem selo p’ra multa pagar
Os teus santos favoritos
Quiseram-te castigar!
Como uma boa cristã
E religiosa a valer
Na tua Santissíma Fé
Um pecado quizeste ter!
Nosso Senhor não gosta
É melhor ires confessar
Fizeste-o com maldade
Ao Inferno vais parar…
Como certo, Deus não dorme
O CTT não me cobrou
Fiquei muito radiante
E regozijada estou…
Desta vez selaste a carta
Tua obrigação foi fazê-lo
Não negando a geração
Antes parecê-lo que sê-lo!
Quando eras pequenina
Fitas e laços usavas
Mas com o meu casamento
Fazia-te falta e choravas
E no Céu nos encontraremos
Que alegria nos apraz
Nessa altura é que diremos
Ó tempo volta para trás!
Alienada já eu estou
Rimar mais não sou capaz
Como és tu que fazes fitas
Guarda para ti o Tomaz!
A propósito da mesada
Da idéia tiveste arrepios
Se fizeres bem as contas
São maiores os calafrios!
O Mário já está cansado
Ai Jesus quem me acode
Diz o Bispo que sai caro
O Pessoa, ai que pagode
E neste meio ambiente
E dentro deste contexto
As vou já mandar à fava
Este ano que é bissexto!
A terminar já eu vou
Com uma resposta veloz
E para não seres gulosa
Não comes uma filhós!
Deixem-me em paz e sossego
Estou estafada de rimar
Foi o que me arranjaram
Com a gracinha do Lar!
Mas que grande austeridade
Obrigarem-me a versar
Com tanta severidade
Acabam por me matar!
Para a Lili
Tanto tempo sem noticías
Já me estava a ralar
À espera de carta todos os dias
Até que enfim a vejo chegar!
Fazer chamada de aviso
Não, que ía assustar
É melhor pensar com juízo
E andar eu a majicar.
Se o dinheiro abundasse
P’ra gasolina comprar
Ou se carro novo comprasse
Já me tinha posto a andar.
Foi posto na oficina
O calhambeque a arranjar
Com vontade e gasolina
As saudades vou matar.
À Sílvia escrevi cartão
Também “fina” me quis portar
E mandei dizer que não
Não era possível acompanhar.
O paizinho não gostou
De cartão a convidar
Amigo intimo sou
E pensava ser familiar.
Com a prenda não me prendo
Qualquer coisa hei-de comprar
Em Setúbal andei vendo
Mas resolvi aguardar.
E quando for a Lisboa
Tenho tempo de pensar
Não quero coisa muito boa
Apenas que possa agradar.
Temos de ir a Palmela
O Fernando visitar
Uma menina, teve ela
Outra prenda pra comprar.
E nessa altura aproveito
A prenda da Sílvia levar
Duma cajadada faz jeito
As duas coisas levar.
Os versos? Muito engraçados
A fotografia de encantar
Meu coração desgostado
A velhinho o ver chegar.
A velhice é uma tristeza
Que a todos vem rondar
Mas também deve ter beleza
Os bons tempos recordar.
Pelo retrato obrigado
E apesar de velho estar
E do coração cansado
“Inda é um traço de TARAR”!
Para mim é grande desgosto
A sério, nisso pensar
Mas quando passa um “Agosto”
Tenho que me conformar.
O meu desejo é igual ao teu
Dos meus anos lá passar
Mas depende do “Bispo” meu
Querer ou não concordar.
Os versos do Zé são giros
Os meus? A imitar!
Merecia mais dois tiros
Que me estar a cansar.
É uma versada manhosa
Mas chega para rimar
É pena não ser gostosa
Nem tão pouco agradar
Mas como não sou vaidosa
E é apenas para brincar
Uma resposta tão airosa
Não vão vocês esperar
E eu aqui muito saudosa
Dos meus netos não beijar
E nem com eles brincar.
Com abraços e saudades
Assim eu vou terminar
Beijos da Maria Adelaide
Que já não os quer enjoar.
Já chegou de brincadeira
Não digam que estou a abusar
Esquecia-me de tal maneira
Ao resto da família cumprimentar.
Maria Adelaide
Cara
linda do Nuno
Alcácer do Sal, 10 de Outubro de 1976
Ai meu querido Nunecas
Como o tempo tem passado
Gostas tanto de Fanecas
Inda mais de Linguado…
Quantos mais peixes melhor
Se faz boa caldeirada
Para tirar o sabor
Uma boa marmelada…
Muitos beijinhos da Lalai
Para
o meu neto Nuno
Carnaval de 1976
Bom aluno, bom estudante
É o meu Nunecas amigo
Apesar de ser meu neto
Não é parecido comigo!
Levanta-se e faz a cama
Trata do pequeno almoço
Apenas com onze anos
Temos ali um belo moço!
Adora brincar na rua
E à bola só quer jogar
Em vez de estragar botas
Ficava em casa a Costurar!..
É um grande desportista
Ainda com pouca idade
Mas aconselha à Mamã
As regras da austeridade!
Mas afinal como é?
Que tanta poupança quer?
Se gasta tanto calçado
Mesmo sem a mãe querer!
Já chega de tanta asneira
Para brincar ao Entrudo
Se me mendas passear
Vejo Braga por um canudo!...
Beijinhos da Lalai
Resposta
a um convite / festa de Carnaval, em casa da Lili
Alcácer
do Sal, 4 de Fevereiro de 1991
Uma carta recebi
Com um programa genial
Só que eu não antevi
Ser brincadeira de Carnaval!..
Com um banquete tão lauto
É capaz de fazer mal
Terás de pegar no auto
E levares-me ao hospital!..
Não sei debater politíca
Jogos de sorte também não
Como já estou raquítica
Só sirvo de paspalhão!..
A pista não me faz falta
Pois dançarina não sou
Posso ver dançar a malta
E distraída já estou!
Uma filha eu gerei
Não é parecida comigo
Como é que me arranjei?
Só deve ser no umbigo!...
Recordar o Carnaval
Agora na decadência
Bons momentos sem igual
Passei na adolescência!
Que risotas eu fazia
Nas brincadeiras de Entrudo
Era grande a companhia
Mascaravam-se de tudo!...
De Alcácer, a Lisboa, a Palmela
Intercâmbio colossal
Com uma telefonadela
Brincava-se ao Carnaval!...
E é com muita saudade
Que penso nesses momentos
Momentos de felicidade
Em que não havia tormentos!
Com esta grande atitude
Que seja bem-sucedido
Que todos tenham saúde
E o cofre não fique falido!
Responda se faz favor
Está aqui a resposta
Foi feita com tanto ardor
Que já me sinto mal disposta!
À
Lili, acedendo ao seu pedido de fazer uns versos
Amor a quanto obrigas
Diz o antigo rifão
Mais vale não ter amigas
Que ter esta obrigação.
Não sei se conseguirei
Filha das minhas entranhas
Com certeza errarei
Dizendo muitas patranhas.
Ao teu pedido acedendo
Com remorsos não vou ficar
Serão beras, e eu entendo
Não me poderei glorificar!
P´ra te fazer a vontade
Fico com o cérebro cansado
E depois desta maldade
Veremos o resultado.
Que grande paciência
Estar aqui a recordar
Com vontade e persistência
Se ainda sei versejar.
Lembrar o tempo passado
Nem eu sei como dizer
Não é como diz o ditado
Que recordar é viver.
Quando me punha a rimar
Era grande a satisfação
Agora p’ra te agradar
É com mágoa no coração!
Se o rimar aliviasse
As tristezas da nossa alma
Mesmo versos sem classe
Eu os faria com calma.
Inda não estás satisfeita?
Que defeitos tens a pôr?
E como não te deleita
Deita fora, faz favor!
Se aquilo que estou sentindo
Se pudesse transmitir
Juro que não estou mentindo
Não dava vontade de rir!
Fico mais desiludida
Do esforço que estou fazendo
Sabia que estava perdida
Mas não que s´tava perecendo!
Depois de velha e caduca
Com a memória falhada
O que precisa esta maluca
È duma grande lambada!
Se eu soubesse demonstrar
Em versos de pé quebrado
O que vai na minha mente
Depois deste arrazoado
Só teria que te louvar
Do passado e do presente!
É pior do que um exame
Filha do meu coração
Que queres mais que te faça?
Depois desta grande desgraça
Será que tenho absolvição?
Para castigo um vexame
Era a melhor solução!...
Os meus netos que dirão
Da avó estar tão louca
Metam-na no manicómio
E enfiem-lhe uma touca
Não percam a ocasião
Antes que seja tardio
E não tenha solução
P’ra não causar mais calafrio
Recebam um xi coração!...
Resposta a umas quadras feitas e enviadas pelas professoras Maria Lúcia Rosado e Luísa Rama de Oliveira, quando do meu aniversário de casamento
Alcácer do Sal, 13 de Fevereiro de 1968
Convite
E para comemorar
Vinte e nove anos passados
Umas amigas p’ra conversar
Podem tornar-se animados.
Aproxima-se a velhice
Cá por dentro que tristeza
Poderá ser patetice
Mas ainda tem sua beleza.
Mesmo sem grande recurso
Consegui algo de novo
Influência do concurso
“Grande poeta é o povo”.
Sendo boas professoras
Não me queiram reprovar
P’ra fazer versos minhas senhoras
O que é preciso é rimar.
Dia treze faz um ano
Que uma carta recebi
Duma amiga não me engano
Pois provou-o quando a li.
Mais um que se passou
Vinte e nove vamos fazer
Como banquete não dou
Gostaria de as cá ter.
Uma noite está prometida
E não há meio de chegar
Espero muito convencida
Que podem aproveitar.
Não é um fim-de-semana
Nem tão pouco um feriado
Só se o sono não me engana
For ele o grande culpado.
Para a Natália com a oferta de uma bolsa para os fósforos
Alcácer do Sal, 25 de Dezembro de1967
Se quiseres enfeitar
A chaminé com fofaí
Podes aproveitar
Porque foi feito p’ra ti!
Grande poeta é o povo
E como eu não há igual
Saúde para o Ano Novo
Alegria para o Natal.
Resposta a uns versos feitos pela minha irmã Natália, quando trocámos a bicicleta a motor, por um carro
Agradeço os Parabéns
Que já eram esperados
Não merecia a pena
Estarem com tantos cuidados.
A todos muito obrigado
P’la vossa boa intenção
Ainda dou bem à perna
Sem vias de extinção.
Nesse tempo que já passou
Mas que não era de colo
Sem caruncho, sem horror
Andava eu de CUCIOLO.
Passa o tempo, passa a vida
Falha também a memória
Há engano na LAMBRETTA
Porque foi uma GLÓRIA.
Para ver se revigora
Não é com a MARGARIDA
Tenho uma espada melhor
Que é a minha querida.
De foguetão não viajo
Porque me faz tremelique
Quando o jogo modificar
Há-de ser de SPUTNICK.
Versos feitos à D. Maria Amélia
Amizade feita quando da nossa estadia nas Termas de Monfortinho
Conheci uma senhora
Nas Termas de Monfortinho
No carro lhe demos boleia
Por ser longe o caminho!
Estando na mesma Pensão
Certa amizade travámos
Em agradável companhia
Aqueles dias passámos!
Por cartas ou telefone
Boas relações tivemos
Foi sol de pouca dura
Qual a mágoa não sabemos!
Prometeu-nos uma visita
Com agrado aguardámos
Ficou em águas de bacalhau
E não mais a avistámos!
Tê-la-ia ofendido?
Pensva com os meus botões
Se mais penso, menos vejo
Do silêncio, as razões!
Mais voltas que dê à memória
Não consigo explicação
Doenças com muito trabalho
Ou falta de ocasião?
Se fossem extraviadas
As cartas que tenho escrito
Uma ou duas, é natural
Mas todas, acho esquisito!
Não mais ficámos sabendo
Como está da sua cara
Pois tínhamos satisfação
Em saber que melhorara!
Que pessoa maçadora
Teimosa até mais não ser
Já a mandei passear
Inda me está a aborrecer!
Que reacção será a sua
Ao receber esta carta
Certamente me dirá
Desta mulher estou farta!
Como o mês de Fevereiro
É quadra de Carnaval
Com esta minha brincadeira
Espero não parecer mal!
Cumpre a lei da austeridade
Prossegue na poupança
Ora dentro deste contexto
Cortou-nos a ALIANÇA!
Meu querido neto Pedro
Alcácer do Sal, Maio de 1993
Que admirada eu fiquei
Em saber uma novidade
Tão contente proclamei
Desejar-te felicidade!
E se eu acreditasse
Em Deus Nosso Senhor
Pediria que te enviasse
Lá do Céu grande louvor!
O teu amor p’la Rosinha
Seja uma realidade
Parece boa mocinha
Merece sinceridade!
Os parabéns ainda não dou
Pois prematuro pode ser
A agourar não estou
Mas tudo pode acontecer!
Sempre em ti confiei
Não me vás desiludir
É verdade não sonhei
Augurar-te um bom porvir!
Saúde, paz e amor
Cabecinha no lugar
Dá prova que tens valor
E te sabes orientar!
Será que tens paciência
De ler esta carta minha?
Confio na benevolência
Da tua querida Rosinha!
Ando muito atarefada
Não tenho vagar p’ra mais
Dar-me-às uma bofetada
Ou ir apanhar pardais!
Um beijo e um abraço para os dois, da avó amiga
Maria Adelaide
Resposta a um telefonema anónimo
Três famílias variadas
Oh! Que santa geração
Cocós, ralhetas, facadas
Fizeram uma combinação.
E que paródia teria havido
Na Rua Damião de Góis
Cujo efeito foi produzido
Vinte e quatro horas depois.
P’ra gozarem um infeliz
Qual o motivo e porquê?
Não é Opel, não é Morris
Mas é um tal… 2 CV.
Fazem troça dos Magalas
Que não aspiram a Capitães
Até nos deixam sem fala
Ao chamarem Carros para cães.
Tomaram parte e partido
Lisboetas e Palmelões
Mas era mais divertido
Comerem uns ca……………
Resposta a uns versos feitos pela professora Maria Lúcia Rosado, quando do aniversário dos meus 28 anos de casamento
Alcácer do Sal, 13 de Fevereiro de 1967
Quando o carteiro entregou
Uma carta sem remetente
Na minha ideia não passou
Que ficasse tão contente!
Escusado será dizer
Que mesmo só, dei gargalhada
Não sabia de quem era
Mas não estava pasmada!
Apesar do anonimato
E inda antes de ser lida
Vi logo que se tratava
De uma boa partida…
Partida de boa amiga
Com a melhor intenção
A quem muito agradecemos
A sua consideração
São versos de pé quebrado
E feitos a 60 à hora
Saímos no calhambeque
E fomos almoçar fora.
Resposta a umas quadras feitas pelas professoras Maria Lúcia Rosado e Luísa Rama, quando de um roubo efetuado no nosso armazém de materiais de construção.
Alcácer do Sal, Carnaval de 1967
Um convite venho fazer
A uma grande amiga
Pois não a tenho na conta
De arranjar uma intriga.
Uma amiga mui jeitosa
Tão alegre e jovial
Confesso que tinha pena
Me quisesse fazer mal.
Vens cá passar o serão
E ficarás contente
Faço anos de casada
Dia 13 do corrente.
Não é um caso falado
Nem isto merece a pena
Basta-me viver contente
E saber que sou morena.
Desculpa se te aborreço
E a isto não achas graça
Outra vez que queira brincar
Dirijo-me a uma louraça.
Diz-se que p’lo Carnaval
Tudo se pode dizer
Se o caso fosse comigo
Decerto não me ía ofender.
Meu querido neto Pedro
Alcácer do Sal, Agosto de 1993
Quem havia de pensar
do meu neto querer casar
com uma flôr a desabrochar
uma rosa de encantar
pelo cartão, o nó vão dar
junto dela no altar
fidelidade vais jurar
p’ra toda a vida a amar
bem a podes estimar
e p’ra ela não desanimar
não olvides de a regar
porque se a rosa murchar
rebentos não pode dar
e a prole não aumentar
depois não te podes queixar
nem tão pouco a execrar
e se a rosa desfolhar
não poderás remediar!
Venho aqui para augurar
um futuro de lisonjear
para a todos alegrar!
Mais não posso ambicionar
felicidades venho desejar
boa saúde e paz no Lar
com filhos para criar.
Uma varinha p’ra te fadar
Ò quem me dera arranjar!
Não querendo desgostar
nem tão pouco alterar
o que de mim estão a pensar
esta carta vais protestar
o que não vou duvidar
nem me custa acreditar
que tu mandes passear
a tua avó em 4º lugar.
Não me queiras abominar
Tudo isto é a brincar…
Se o diabo me apanhar
manda-me logo incendiar
e quem me há-de salvar
se no Céu não puder entrar?
Para não te irritar
vou assim terminar
muitos beijos vou enviar.
Maria Adelaide
Para o meu neto Nuno Miguel
Alcácer do Sal, Fevereiro de 1992
A tua mãe me pediu
P’ra uma envolta fazer
Mas imediatamente viu
Dar-me um chilique e morrer.
Tudo pode acontecer
Nesta vida sem se esperar
Já agora… depois de nascer
Pois o bebé quero admirar.
Minha filha assim o disse
Ocorreu-lhe de momento
Mas pensou se eu partisse
Não era deslumbramento.
Posso estar senil ou demente
O amanhã ninguem prevê
Mas o destino não mente
Quem cá estiver é que vê.
Que delícia e que prazer
Eu terei nesse bébé
Nessa data não tou a ver
Que já esteja XÉXÉ.
Será menina ou menino?
Será parecido com quem?
Oxalá que o destino
O traga p’ra vosso bem.
Com muita sorte e saúde
Para os pais e para avós
Eu por mim num ataúde
Já não posso pensar em vós.
Depois do trabalho feito
O pernil posso esticar
Com sabedoria e jeito
Me podem eliminar.
Com um beijinho da Lalai
Para o Tomás
Alcácer do Sal, 11 de Novembro de 2002
Meu feio,
Tomás bisneto querido
Irrequieto e ladino
Sempre com muito sentido
Muita graça e pouco tino.
Gostas de ir à escola
Já tens estado de castigo
Toma juízo na tola
Ouve bem o que te digo
Ainda não sabes ver
Que és parecido com teu pai
Por isso não vais querer
Ouvir a carta da Lalai.
És um grande sabichão
Só nos queres enganar
Estou cheia de confusão
Por isso vou terminar.
Enviando um xi-coração
Lalai
Para a Mariana
Alcácer do Sal, 23 de Setembro de 2002
Mariana querida,
Ainda não sabes ler
Esta carta que te envio
Mas como vais aprender
Lê-la-hás de fio a pavio.
De ir à escola tu gostas
E se fôr boa a professora
Com uma perna às costas
Chegarás a ser Doutora.
Depois de muito saberes
Gozarás tua bisavó
Com razão para dizeres
Pateta, até mete dó.
Desejos de tudo bom para ti e Andreia, não esquecendo o Tomás
Muitos beijinhos para todos da Lalai
Para Andreia
Alcácer do Sal, 11 de Novembro de 2003
Querida Andreia,
Enviei à tua mana
Uma carta pequenina
Se a memória não me engana
Era pobre mas genuína.
Não quero que desanimes
E pensares que te desprezo
Peço que me redimes
Um padre-nosso eu rezo.
Penso que a minha amizade
Não faz diferença das duas
Lembro sempre com saudade
Brincadeiras e falcatruas.
Se não souberes interpretar
Tua mãe te explicará
Pôr uma velha a rimar
Ao diabo não lembrará.
Vai escrito com muitos erros e falta de pontuação mas melhor não consigo. É só para brincar convosco. Muitos beijinhos da Lalai
Aos bisnetos - Outubro de 2003
Andreia, Mariana e Tomás
São meus bisnetos queridos
Muito amigos e traquinos
A primeira tem os cinco sentidos
Mas de fazer birras é bem capaz
A segunda gosta muito de meninos
Amiga de rir e de brincar
Do terceiro o que dizer?
Estamos sempre a ralhar
Faz ouvidos de mercador
Quando estão a conversar
Qual deles o mais engraçado
Arranjam histórias para contar
E ficam todos babados
Como não tenho que fazer
Estou de janela vendo chover
Termino aqui esta tragédia
Que dá vontade de chorar
Façam daqui uma comédia
Que possam representar
Da autoria de uma maluca
Que já não está boa da cuca!...
Muitos beijinhos com saudades
De jogarmos à mana Macaela
O que vocês preferiam de verdade
Era jogarem-me pela janela
Lalai
Para o Carlos Augusto
Dia do seu casamento, em 17 de Março de 1975
A vinte e cinco de Agosto
Vieste à luz do dia
A dezassete de Março
Não poupes a Energia!...
Raiaste em Alcácer do Sal
Em plena tarde, claro está!
Para a noite da Coligação
Escolheste Massamá!...
Cuidado com as Intentonas
Que só prejuízo dará
Fazes a Descolonização
E a Reação não passará!...
Para o meu neto Pedro
Carnaval de 1976
Tenho um neto mui moídor
Mas por ser um brincalhão
E como colecionador
Não dá pena nem paixão!
Passou uma quadra mui catita
Sem se vestir, sem se lavar
Entretido como Filatelista
Só em pijama quis andar!
Para não mui se cansar
E como quieto não estava
O Rucas ía buscar
E a Lalai é que pagava!
Tenho um neto mui liró
Que me faz tanta tropelia
Em 4º lugar tem a avó
Não dá tristeza, dá alegria!
Com esta carta mui ranhosa
Termino mas mui contente
Da Lalai que é mui babosa
Por ter um neto mui ridente
Quem tem um neto Liró
A riqueza da sua avó?
Que nos miolos só tem pó
Fim de citação e não só!
Abraços da Lalai
Feitos de imediato, após uma chamada telefónica minha, a incitá-la a fazer quadras para sua distração.
24 de Agosto de 2003
Uma filha rica não tenho
Mas tenho uma rica filha
Por vezes me abstenho
De ficar que nem uma pilha.
Não uma pilha eléctrica
De nervos dou a certeza
Se eu fosse mui tétrica
Metia-me numa Fortaleza.
Fortaleza? Que horror!
Agora com esta idade!
A minha filha por amor
Preferirá a minha Liberdade!
Com desejos de saúde
Maria Adelaide
Humor Negro
Carnaval de 2004
No dia em que eu morrer
Volto a ressuscitar
Quem comigo estiver
Decerto vai desmaiar.
Entra mosca ou sai asneira
Desta boca tão airosa
Mesmo sendo brincadeira
Tem laivos de venenosa.
Digam lá que não mereço
Um castigo bem penoso
Não abusem, lhes peço
É só para lhes dar gozo.
Um pensamento tão louco
Só pode ser de maluca
Para Rilhafoles é pouco
Não tem remédio esta cuca.
Que grande calamidade
Por esta cabeça pairou
Beijinhos de muita amizade
E a desgraça terminou.
Enviados ao Tomás, depois de este ter telefonado a convidá-la para os anos
Maio de 2004
Meu querido bisneto
Longe do meu coração
Ele é tão irrequieto
Já tem vindo parar ao chão.
A Alcácer vem de visita
Nada pára nas suas mãos
Pega na corneta e apita
Até parece um batalhão.
Das primas é muito amigo
Gosta de brincar com elas
Com os três eu não consigo
Escapar sem ter mazelas.
Numa grande correria
Caí e parti a testa
Com grande euforia
Riram e fizeram a festa.
Um abraço pouco apertado
Para ti e para o pai
Pelo convite muito obrigado
Saúde e juízo, deseja a Lalai.
Uma história pouco animada para fazer as pedras da calçada
Outubro de 2004
Uma velha desvairada
Quase descabelada
A boca desdentada
Feia e mal cuidada
Pouco porca, muito asseada
Digam lá se esta fachada
Não está atribulada
Modificá-la não há nada
Bom remédio uma chapada
Presa e amarrada
Por opção asilada
Deus a tenha abençoada
Até à última morada
Valha-me Santa Mafalda
Para chegar lá animada
Termino a fantochada
Estou mesmo desequilibrada
E já me sinto traumatizada
Acudam que estou chanfrada.
Com oitenta e cinco anos
Já devia ter juízo
Para evitar desenganos
Muito menos prejuízo.
Chegar à terceira idade
Prova bem a criancice
Sabe toda a comunidade
Portanto não é aldrabice.
Anos da Taizinha
Feitos a 13 de Novembro de 2004, dia de anos da Taizinha, quando lhe pedi por telefone que fizesse uma quadra em que falasse de bombons, para juntar à minha oferta. Como sempre, dez minutos depois o telefone tocou e em vez de uma, vinham seis!
Resolvi dividi-las. Duas foram com os bombons e as outras quatro, como recordação da infância delas.
Que grande trambolhão
Tu deste ao nascer
Com a pancada no chão
Vieste ao Mundo padecer.
Da cachimónia é certo
Só não consigo perceber
Estudaste com acerto
E eu só aprendi a ler.
Foste grande professora
Em mim nada alterou
Fiquei presa à vassoura
E fui aquilo que hoje sou.
Palavras leva-as o vento
Mana das minhas entranhas
São Martinho te dê alento
E comas muitas castanhas.
Para os bombons
És tão bonita e airosa
Com sapatos de pompons
Como não és muito gulosa
Toma lá estes bombons.
Que te sirvam de proveito
Deseja a tua sobrinha
Ao estomago e ao peito
E não MAL à barriguinha!
Bisnetas Andreia e Mariana
Feitos em 4 de Dezembro de 2004, e enviados às bisnetas Andreia e Mariana.
A protagonista da história, sou eu!
Era uma vez uma avózinha
Protagonista desta historiazinha.
Conheço uma costureira
Ao pé da janela a coser
Pondo os utensílios na beira
Fez a tesoura desaparecer.
Por toda a parte se procura
Ao lixo deve ter parado
Mas parece uma loucura
Entrar na bainha do cortinado.
Por incrível que pareça
É a verdade nua e crua
Longe de alguma cabeça
Ter havido falcatrua.
Bruxedo não foi de certeza
Almas do outro Mundo também não
Mas garanto com firmeza
Que alterou meu coração.
Para o neto Nuno, nos seus 40 anos
Festejaste os quarenta
Com muitos da tua amizade
Faço votos que aos noventa
Sintas a mesma felicidade.
Tantos anos? Que maçada
Muita coisa se irá passar
Mesmo com a ciência avançada
Viagra terás de tomar.
A ternura dos quarenta
Diz a cantiga do Paco
Com essa idade não se aguenta
Nem com a companhia do Baco.
Não me deves agradecer
Que a idéia não foi minha
Acredita podes crer
Partiu da tua mãezinha.
Cedi, mas acho caricato
Anuir a este devaneio
Era melhor ver o Malato
Que divagar este paleio.
Amor a quanto obrigas
Diz o antigo rifão
Mas não quero que me digas
Se tenho razão ou não.
E sem mais intrigas
Envio-te um grande beijão.
Para as manas Pampolim
Férias de Natal 2004, em casa da avó Lili
Tenho duas bisnetas catitas
Que já têm grande escola
A mais velha faz grandes fatias
A mais nova, muito tento na carola.
Quando estão na brincadeira
São piores que duas bichas
Com maldade e muita asneira
Vão-se lembrar de salsichas.
O primo entra na dança
Dos três qual o pior
Depois do vendaval, a bonança
Acabar a história, é melhor.
Que grande salsichada
Houve naquela refeição
As mais velhas assombradas
Iam morrendo de comoção.
24 de Janeiro de 2005
Enviados à Lili
Se mostrares a alguém
Minhas boas disposições
Garanto que do Além
Apareço-te aos serões.
Não te esqueças!
Maria Adelaide
Para a mana Natália
Carnaval de 2005
Como o Carnaval é cedo
Apetece-me brincar
Julgo não meter medo
Estar só, e divagar.
Não recordo certos factos
Muitos anos dormi contigo
Não senti picos de cactos
Mas chichi até ao umbigo.
Pessoas e animais
Tudo servia para casar
O gozo era demais
Até dormir e sonhar.
Fazias grandes piruetas
Daí chamarem-te maluca
Por causa das tuas trêtas
Não estou eu, boa da cuca.
Que boas recordações
Tem qualquer meninice
Não havia televisões
Inventava-se parvoíce.
Lembranças com certo sabor
O que ficou para traz
Não têm muito valor
Mas para nós muito apraz.
Quando um murmúrio ouvia
O pai amigo ralhava
Mas, contudo, todavia
Nada nos mosletava.
Quando eramos pequeninas
Usávamos fitas e laços
Como somos genuínas
Em vez de um, dois abraços.
Feitos para a Mariana
Feitos em Maio de 2004, depois de Mariana ter telefonado a dizer precisar de uma quadra, para um trabalho no Colégio, em que entrassem as palavras BRUXA e CALDEIRÃO. Dez minutos depois o telefone tocava e a quadra estava pronta. Não uma mas sim duas, para se poder escolher.
Quando eu era pequenina
Caí dentro de um caldeirão
A bruxa que era ladina
Tirou-me com uma poção!
Conheci um lindo ratinho
Cozido no caldeirão
Uma fada muito feia
Salvou-o com uma poção.
Para Andreia
27 de Março de 2006
Querida Andreia
Para não só te entreteres a ver novelas, tens este passatempo. Decifrares esta prosa.
Será poética
Será lírica
Será gótica
Será românica
Será germânica
Será rica
Será médica
Será benéfica
Será maléfica
Será cómica
Será tétrica
Será política
Será fanática
Será neurótica
Será psiquiátrica?
É com certeza!
Mas que grande Tarada
Existe nesta morada
Alguma alma incarnada
Entrou e deu-lhe pancada
Mas que enorme lambada
Merece a desmiolada
Como não pode fazer nada
Faz-se de engraçada
Mas como não tem piada
Devia ser utilizada
No forno e ser queimada
Para não mais ser lembrada
Que tal esta chachada
Razão para ser maltratada
Já é tempo de ser encovada
Sem cabelo e desdentada
E é assim que vou finada
Já não se vive apaixonada
Nem tão pouco desejada
Melhor é ser engaiolada
E esta fica assim encerrada!
Minha querida neta, vais ao dicionário ver o que eu escrevi mal. Uma brincadeira inofensiva para te dar trabalho e aprenderes o significado de algumas palavras, se assim te apetecer.
Beijinhos da Lalai
Para a Andreia
21 de Março de 2005
Era uma vez uma menina
Catita e pouco estudiosa
Que Deus lhe dê boa sina
P’ra estudar e ser famosa.
Para a Mariana
21 de Março de 2005
Era uma vez uma menina
Catita e muito estudiosa
Que Deus lhe dê boa sina
E continue a ser opiniosa.
Para o Tomás
21 de Março de 2005
Era uma vez um menino
Catita, mais ou menos estudioso
Que Deus lhe dê bom destino
Para tirar um curso famoso.
Para Andreia
Feito com a colaboração de Mariana, quando no dia de Natal, Andreia não veio almoçar como era tradição.
O primeiro Natal sem ti
Foi deveras doloroso
Esperemos que não se repita
Para não ser tão choroso.
Para falares com Cláudio
Tiveste de ficar de cama
Fizeste uma má escolha
Isso é próprio de quem ama.
Do cabrito à tarte de pêssego
Perdeste uma boa refeição
Mas nestes versos enviamos
Toda a nossa afeição.
O teu sorriso nos encanta
Querida Andreia fazes falta
As prendas vais ter de abrir
Com um grande beijo da malta
À minha bisneta mais velha
Sentindo falta do seu convívio
Desejando-lhe as melhoras
Um abraço eu envio.
Para a Mariana
Alcácer, 30 de Abril de 2008
Já estás com 12 anos
O tempo passa a correr
O futuro não te dê danos
Que o curso está por fazer.
Uma menina que eu cá sei
Que é muito estudiosa
Cumpre tudo dentro da lei
Por isso é muito opiniosa.
Querida neta Mariana
Muitos beijos e abraços
És uma menina com gana
Já não usas fitas e laços.
Um beijo da Lalai
Para Lili e Conceição, quando da ida das duas a um SPA.
Que tarde deliciosa
Elas passaram no SPA
Terão noite preciosa
Sem sonhos de caracácá.
Juntaram-se as 2 à esquina
A tia com a sobrinha
Não tocaram concertina
Mas não tardaram na caminha.
Feitos a 2 de Janeiro de 2004, ainda em férias de Natal, a pedido de Mariana, para um trabalho no Colégio.
Gosto muito do Pai Natal
E das prendas que recebi
De todas gostei muito
E da casa da avó Lili.
Enviados à irmã Natália, quando esta fez um plano telefónico com a Portugal Telecom
Minha mana tem um plano
Que lhe dá muito prazer
Ela fala, fala, fala
E vê o dinheiro a crescer.
O plano resulta tanto
Que ela está sempre a falar
E no fim para meu encanto
Sou eu que fico a ganhar.
Continua com o plano
Mana do meu coração
Que lucramos todas nós
A ouvir a tua voz
Sem gastarmos um tostão.
Rica mana parabéns
Rica porque tens cortiça
Rica porque não tens
Uma mana com cobiça.
Dar-te uma prenda não posso
Surpreendida morrerias
Antes rezes um Padre-nosso
Para que vivas muitos dias.
Amem
Para Andreia
Andreia primeira bisneta
Filha de um neto idolatrado
Julgo que não é pêta
Nem humor falsificado.
Aos doze anos quem diria
Para treze faltam mêses
Mas foi com pouca alegria
Que recebeste os inglêses.
O seu nome em medicina
Penso ser menstruação
Deixamos de ser menina
Mas mulher ainda não.
Quando tinha essa idade
Não era nada formosa
Alá tenha piedade
Desta velha já rançosa.
Enviados à Cristina, quando mudou de casa, como se fosse eu, Lili, a oferecer ajuda.
Cristina prima adorada
Como vais mudar de casa
Aproveitas a lufada
Desta amiga que está em brasa.
Mulher-a-dias perfeita
Não imaginas do que é capaz
Toda a gente se deleita
De todo o género que faz.
O trabalho é barato
Quinhentos euros por hora
Não provoca desacato
Feito o serviço vai embora.
Saúde e boa sorte
Para o Tomás
Quando eu tinha doze anos
Bonita era esta idade
Nasceu outra menina que----------
Mas era uma celebridade.
Já estás um homenzinho
Saúde e sorte te auguro
Um abraço e um beijinho
Felicidades no futuro.
Para o meu neto Tomás
Desejos do coração
Que mostre ser bom rapaz
E o curso não fique em vão.
Prevejo em pensamento
Uma bonita história
Que lá no firmamento
Saiba da tua vitória.
A avó Lili é peganhenta
Não me deixa em paz e sossego
Quer que eu com mais de oitenta
Faça rimas sem apego.
Ponto final mais não digo
Não me chamem aborrecida
Fico zangada contigo
Até ao resto da minha vida.
Para as netas Andreia e Mariana
1 de Setembro de 2003
Andreiazinha e Marianinha
Acabaram-se as férias
Ficaram muito moreninhas
Mas mais bonitas? São lérias.
Agora toca a estudar
Para tirarem um curso
Com vontade de trabalhar
Não fazem figura de urso.
Minhas amigas que bom é ter
Saúde em primeiro lugar
O que conseguirem ser
Não posso imaginar
Para os pais muita alegria
Para avós um Bem-estar
Vão crescendo e um belo dia
Arranjam um noivo para casar.
Com um sapo encantado
A Andreia vai namorar
Em príncipe transformado
È um bonito exemplar.
A carochinha da Mariana
Encontra um João Ratão
Quando lhe der na gana
Mete-o no caldeirão.
Para a Andreia
Foi batizada de Andreia
A minha primeira bisneta
Garanto que não é feia
E não tem nada de pateta.
Gosta muito de dançar
Anedotas não têm conta
Mas tempo para estudar
È sempre hora de ponta.
Não é uma neta famosa
Por vezes mal-humorada
É bonita e formosa
Até gostava de ser fada.
Da Televisão, é uma Fã
Novelas, nem se fala
Para as lições cabeça vã
Que até precisa de uma tala.
Que grande maledicência
Da bisneta dizer mal
Confesso já é demência
Manda-me para o hospital.
Diz lá minha querida
Onde é que está a graça
Tenho a memória falida
E tu não achas chalaça.
Um abraço da Lalai
Para o Tomás
Era uma vez um menino
Muito feio e sem graça
Irrequieto e traquina
Não digam que é chalaça!
Que grande coincidência
O menino chamar-se Tomás
Mas com muita paciência
Castigá-lo quem é capaz?
Tenho um bisneto tal e qual
Quem é que não acredita?
Oh Céus não leves a mal
É sincero e não é fita!
Atrevido e ousado
Como ele pouco haverá
É um grande descarado
No futuro o que será?
Não me condenes te peço
São feitos com muito carinho
Meu bisneto me despeço
Com um abraço e um beijinho.
Saudades e beijos da Lalai
Feitos à Mariana, que até esta data nunca fizera chichi na cama. Tinha oito anos
Uma história pouco animada, para fazer chorar as pedras da calçada.
Era uma vez uma menina
Mariana ela se chama
Já não era pequenina
E fez chichi na cama.
Abriu os olhos e acordou
Tinha a cueca molhada
Muito triste ela ficou
Surprêsa e admirada
Com alguma brincadeira
Ela estava a sonhar
Foi logo para a banheira
Um belo banho tomar.
Muitos sonhos e chichis
Te deseja esta amiga
Não vamos pedir-te BIS
Nem quero fazer intriga.
Quando eu era pequenina
Usava fitas e laços
Agora que sou velhinha
Dou-te beijos e abraços.
Muitos beijinhos da Lalai
Feitos à irmã Natália, quando do seu aniversário.
No dia treze do mês onze
Algo invulgar aconteceu
Uma menina de bronze
Caìu ao chão e nasceu.
Já existia uma mana
Bondosa mas imprudente
Um dia dá-lhe na gana
Zanga-se e parte-lhe um dente!
Tantos elogios sem razão
Só tenho que agradecer
Prometo na outra encarnação
Dôce, meiga, beijar até poder!
Tenho defeitos e qualidades
Como qualquer imortal
Sem cortiça, sem herdades
A vida não me é fatal!
Dôce não sou de verdade
Nem tão pouco beijoqueira
Mas digo com lealdade
Que entra mosca ou sai asneira!
Tenho feito pouco ou nada
Para me poder orgulhar
Quando o reinado acabar
A minha presença acabada
Umas lágrimas vão deitar.
Feitos a 2 de Janeiro de 2004, nas férias de Natal em casa da avó Lili, a pedido de Mariana, para um trabalho no Colégio.
Na noite de Ano Novo
Com a mana e o primo
Tocámos gaitas e dançámos
Pulámos e muito rimos.
Na casa da avó Lili
Foi uma noite engraçada
Com o pai, avós, bisavós
Numa grande palhaçada !
Para a irmã Natália
Março de 2012
Não somos irmãs gémeas
Não somos inimigas
Não somos de blasfémias
Não somos de intrigas.
Fomos companheiras
Quer de noite quer de dia
Fizemos muitas brincadeiras
Com grande dose de alegria.
Quando eramos pequenas
Mandados íamos fazer
A esperta queria apenas
Que fôsse a parva a trazer
À deitada é que eram elas
Nosso pai no quarto ao lado
Não queria ouvir balelas
Mas não ficava zangado.
A mais nova pioneira
A mais velha coitadinha
A mais nova era a primeira
A mais velha reduzidinha.
Continuava a paródia
Até por graça se rimava
Por isso temos glória
Do pai que nos estimava.
Eis aqui um mau resumo
Da nossa boa meninice
Frutos com algum sumo
Saboreados na velhice.
Quem não tem que fazer
Faz colheres diz o rifão
Para ocupar o lazer
Faz o que tem à mão.
Um passado tão longínquo
Impossível de prever
Passar dias neste vácuo
Possível de empreender.
Feitos ao dono da papelaria Presse Center, em Alcácer do Sal
Novembro de 2011
Um senhor muito agradável
Dono d’uma papelaria
Oxalá lhe seja viável
Ter saúde, sorte e freguesia.
Perante tanta insistência
Desiludi-lo não tem graça
Desejo na minha existência
Não ser julgada em praça.
Para a irmã Natália, quando esta começou a ficar doente com vários sintomas
21 de Agôsto de 2011
Que cansaço, que cansaço
Sentes no teu coração
O diagnóstico que faço
Foi de teres caído ao chão!
Uma queda ao nascer
Não é pêta, é verídico
Incrível pode parecer
Mas dá um tema lírico.
Feitos para a irmã Natália, como tendo sido feitos por Lili, como agradecimento da prenda de anos a esta, em Outubro de 2006.
Minha tia, tiazinha
Que perdulária tu és
Fizeste-me uma visitinha
E prendas foram logo três.
Como sou tua amiguinha
Ajoelho-me a teus pés
Agradecendo tua prendinha
E ficas ciente como vês
Que adoro a minha madrinha
Não porás em causa que não crês
Na minha sinceridadezinha
Com beijinhos da tua afilhadinha.
Feitos por mim, Lili, foi apenas esta tentativa
Da dos anos gostei MUITO
Das pegas que direi então?
Mas da d´hoje transbordou
De ternura meu coração!
Feitos à irmã Natália, por esta dizer que ía convidar para lanchar, a Chanceler Alemã Ângela Merkel, quando da sua visita a Portugal.
Teve uma ideia singular
A minha querida irmã
Para oferecer de lanchar
À Chanceler Alemã!
Minha querida irmã
Não te sabia aristocrata
A Chanceller Alemã
Coroava-te de prata.
Ai como estou meiguinha
Irmã do meu coração
Será por ser velhinha?
Não! Jamais! É pura ilusão.
Como não tenho que fazer
Ponho o cérebro a trabalhar
Porque depois de jazer
Já não posso matutar.
Que bom ter senso de humor
Que bom ser realista
Que bom ter muito amor
Que bom não ser pessimista.
Tenho o cérebro a magicar
No frio que vou passar
Quando o pernil esticar
Mas estou a inventar
Um calorífero levar
Não custa experimentar
Se o invento resultar
Deus Nosso Senhor me vai louvar !
Cheguei a velha sem ambições
Garanto que é verdade
Não abundavam os tostões
Escassa era a oportunidade
Não tive pretensões
De igualar-me à fina sociedade
Algumas preocupações
Resolvidas com dificuldade
Bôas e más recordações
Repletas de saudade.
2005
Natália, Tai ou Taizinha
Da família és conhecida
Foste sempre engraçadinha
Tua mana não convencida.
Alguém te chamou repuxinha
Alcunha não conhecida
Eras traquina irmã minha
E eu Bela Adormecida.
Antes que fique amargo
A papa dôce acabou
Pómos o coração ao largo
Mas bôa recordação ficou.
21 de Março de 2006
Querida Marianita
Em dia da Poesia
Não posso ficar mal vista
Uma bisneta com sabedoria
Já política e Cavaquista
Daqui envio uma vénia
Por julgar-te altruísta
Só escrevo porcaria
A uma pensadora futurista
Não sendo pessimista
Se sigo nesta euforia
Reza por mim uma Avé Maria.
Muitos beijinhos da Maluquinha não de Arroios mas de Alcácer do Sal
Lalai
Enviado às professoras e amigas Maria Lúcia de Freitas Rosado e Luísa Rama de Oliveira, quando do aniversário de casamento13 de Fevereiro de 1968
Um convite
E para comemorar
Vinte e nove anos passados
Umas amigas p’ra conversar
Podem tornar-se animados.
Aproxima-se a velhice
Cá por dentro que tristeza
Poderá ser patetice
Mas inda tem sua beleza.
Mesmo sem grande recurso
Consegui algo de novo
Influência do concurso
GRANDE POETA É O POVO.
Sendo bôas professoras
Não me queiram reprovar
P’ra fazer versos minhas senhoras
O que é preciso é rimar.
Dia treze faz um ano
Que uma carta recebi
Duma amiga não me engano
Pois provou-o quando a li.
Mais um que se passou
Vinte e nove vamos fazer
Como banquete não dou
Gostaria de as cá ter.
Uma noite está prometida
E não há meio de chegar
Espero muito convencida
Que podem aproveitar.
Não é um fim-de-semana
Nem tão pouco um feriado
Só se o sono não me engana
For ele o grande culpado.
23 de Agosto de 2005
Sou uma leiga em religião
Não posso portanto falar
Gostaste de fazer a comunhão
Não deves isso olvidar.
No momento da confissão
Creio teres dito a verdade
Nosso Senhor te deu perdão
P’ra toda a eternidade.
Por bom caminho deves seguir
Já que acreditas em Deus
Desejos de um bom porvir
Pedindo ajuda a S. Mateus.
Que sejas um bom cidadão
Com um futuro mui bonito
Alegra o nosso coração
Comigo já no infinito.
O teu Deus idolatrado
Ter-te-á elucidado?
Em nada alvoriado
Estares compenetrado
Usufruíres bom ordenado
Para seres um felizardo?
Espero não teres pecado
Com este meu arrazoado
Nem tão pouco magoado
Jesus foi crucificado
E por muitos é amado
Na tua memória fique gravado
Este acto tão elevado
Seres um homem honrado
Digno de seres estimado
Depois de um sermão beatificado
Já estás santificado
Junto ao Altar perdoado.
AMÉM
18 de Maio de 2013
Ao nascer caiu ao chão
Foi uma queda tremenda
Por causa do trambolhão
Nunca jámais teve emenda.
Foram os anos passando
Cada vez mais caduca
Histórias vai inventando
Que põem a família maluca.
Feitos a Lili, Amália, Stella e Anita, quando da ida destas no dia 12 de Junho, à feira de Oeiras comer sardinhas assadas.
Quatro grandes amigas
Foram comer sardinha assada
Não quiseram ir em cantigas
De terem uma grande noitada.
Quatro estados civis
Uma solteira, uma casada
Para ficarem vis-à-vis
Uma viúva e uma divorciada!
Amália, solteira
Anita, casada
Stella, viúva
Lili, divorciada
NESTE PRONTO A COMER
É SÓ ESCOLHER
ESTE ALMOÇO NÃO É UMA FESTA
MAS SIM UM GRANDE PIQUENICÃO
A AMIZADE NÃO SE VÊ NA TESTA
MAS NO VOSSO CORAÇÃO!
À irmã
Natália
A minha mana tem uma amiga
Cujo nome é Gracinda
Como não sou de intriga
Quer pôr-me na berlinda.
Propõe-me uma obrigação
Que não tem eira nem beira
Passar a ser devoção
Telefonar à quarta-feira.
Só tenho que agradecer
Este sinónimo de simpatia
Não me faz engrandecer
Sim uma dose de alegria.
Ai como estou meiguinha
Mana do meu coração
Será por estar velhinha
Não! É pura ilusão.
Verão de
2012, quando da escolha das telhas. para o novo telhado do prédio.
Que barafunda de telhado
Por haver falta de dinheiro
Quem não era prejudicado
Passou a ser o primeiro.
Perentoriamente falando
Não tenho perlimpimpim
Senão sobrinho Fernando
O telhado não era assim.
È triste não ter dinheiro
Não ter saúde mais doloroso
Não consigo mealheiro
Que o rendimento é penoso.
Por enquanto vai chegando
Sem ter de pedir à vizinha
A filha vai poupando
Para ajudar a mãezinha!
Pertenço à irmandade
Que nasceu em bôa hora
Apesar de tenra idade
Não sou má administradora.
Livro de actas não assino
Pode saír grande asneira
Enquanto tiver algum tino
Serei de gestora a porteira.
A quanto obrigas telhado
Fazer rimas sem preceito
A irmandade lado a lado
Dizem que não é defeito.
Ser mais velha que ilusão
Cabeça de casal não favorece
As manas em consoção
Proíbem e rezam uma prece.
Para a
irmã Natália
Era uma vez uma mana
Que não é carochinha
A realidade não engana
Está muito doentinha.
São os dentes careados
Que provocam infecções
Não foram abençoados
Devido aos trambolhões.
Que dentuça tão rançosa
Te faz andar aflitinha
Pareces uma ovelha ranhosa
Atrás duma cabritinha.
Na cabritinha não mamaste
Nunca ouvi falar em tal
Naturalmente a vizinha
Olvidou tão grande mal.
Feitos a
ela, depois de fazer os 92 anos
Vinte e nove anos? Que ilusão
Ter cabeça sem cabelo
Dizer com comoção
Valia mais ter que parecê-lo.
Vinte e nove ao contrário
Garantia da verdade
Enfiados num rosário
Rezam leviandade.
Que pessoa tão afastada
De queridos tão chegados
Como não é abastada
Deixa beijos e abraços.
Que pessoa tão forreta
Embirrante, mal-encarada
Hipocrisia será trêta
Confesso algo admirada.
Mentalidade tacanha
Dúvidas não há! Que sou
A evolução é tamanha
Retrocedeu e…parou.
Gosto muito de rimar
Asneiras e parvoíces
Gosto muito de brincar
Inventando aldrabices.
Sou a mais velha do trio
Duvido se prevalece
Lembrando fio a pavio
Sem vaidade enaltece.
Quem me dera, quem me dera
Ter sido grande heroína
Garanto não era bera
Nem precisava de naftalina.
Feitos
para o Paulo, a pedido do Nuno
Paulo, meu grande amigo
Desde a nossa inocência
Abstraír-me não consigo
Da nossa convivência.
Feitos a
ela própria, depois de ter ido aos Correios com os sapatos trocados, e ter sido
uma senhora a chamar-lhe a atenção
Calçar sapatos ao contrário
Sem ter dôr nem sacrifício
Vou registar no Cartório
Depois meto-me num hospício.
Foi um caso tão notório
Que ía caindo num precipício
Para não dar falatório
Que seria um desperdício.
Depois deste somatório
Que só traz malefício
Surgiu um vírus inflamatório
Que acabou com este vício.
Cursada no Conservatório
Não tirei algum benefício
Acabo com este reportório
Que é maluquice não é ofício.
Por este motivo … manicómio
NÃO HÁ QUE HESITAR
Para Mariana
em Janeiro de 2014 depois de eu, Lili, lhe ter lido umas quadras feitas pela
Lalai
Uma bisneta amorosa
Afiançou que sou maluca
Com uma medalha honrosa
Inferiorizou a minha cuca.
Marianita, Marianita
Confesso que achei graça
Óh Deus não faças fita
Dá saúde à morenaça.
A palavra empregue não foi maluca, mas sim -------------------
Para as manas
Natália e Conceição, depois de uma confusão de trocos que tiveram
2 de Fevereiro de 2014
Barafunda dum dinheirão
Houve nesta irmandade
Duas dívidas em questão
Não lesava a sociedade!
A nossa mana do coração
Teimosa não queria crer
A mais nova tinha razão
A mais velha que dizer?
A mais nova barafustou
Até a do meio convencer
A mais velha recuperou
Os euros que tinha a haver!
Não chegou à violência
Uma amiga nos visitou
Deu razão à evidência
E o duelo acabou!
Para a
Lili
7 de Março de 1997
Lili
Tenho estado a magicar
Na conversa telefónica
A tua colega há-de pensar
Que sou uma paranoica!
Gostaria de saber
Com alguma expectativa
Que retrato pode fazer
Tirado da tua objetiva?
Já sabes de ante-mão
Que não sou bôa de assoar
Não é p´ra ti ilusão
Nem eu os quero enganar!
Neste momento tão pensativo
O que eu havia de dar
Talvez sirva de lenitivo
P´ra poder aliviar!
Se aquilo que a gente sente
No exterior refletisse
Ainda bem… pois somente
Seria uma grande chatice!
Assim dou por terminado
A paciência esgotou
Vou virar-me para o lado
E ficar aonde estou!
Oh! Que surpresa.
Oxalá esta carta inesperada te vá suavizar um pouco a tristeza que tens, pois pela experiência que tenho nada remediamos, e faz-nos mal ao corpo e ao espírito. Eu digo sempre que os momentos bons não compensam os maus e devo estar certa. Fico por aqui com beijinhos para todos.
Maria Adelaide
Abril, 30,
2014
Para Mariana, nos seus 18 anos
Parabéns Marianita
Um beijo sem extensão
Quando eras pequenita
Uns anos que já lá vão
Só adoravas a Tita.
À bisneta Mariana
Saúde, sorte, bom futuro
Como não é leviana
Casamento feliz auguro.
Após o curso acabado
Que mais se ambiciona
Emprego remunerado
E descanso na poltrona.
Malandra ela me chama
Igual a pornográfica
A bisavó não reclama
Confesso que fico estática.
Para o
neto Pedro, nos seus 52 anos
20 de Maio de 2014
Que neto tão extremoso
Tenho na minha memória
Penso não ser mentiroso
Para não ficar na história.
Quando era criança
Que menino endiabrado
Não era de confiança
O meu neto adorado.
Fez a primeira classe
Com uma bôa professora
Quando acabou o trespasse
Abalou e foi-se embora.
Para não perder o ano
Em Alcácer emigrou
Pa não ser desumano
O castigo acabou.
Homem de sete ofícios
Tem jeito para tudo fazer
Não é isento de vícios
A verdade tem que se dizer.
Um neto idolatrado
Uma avó desnaturada
Um neto desmiolado
Uma avó muito atilada.
Para Tomás
nos seus 18 anos
21 de Maio de 2014
Meu bisneto querido
Quem te viu, quem te vê
Parece que andas fugido
Qual o motivo e porquê?
Falta de amizade?
Falta de recordação?
Falta de sinceridade?
Falta sim de compaixão.
Que bom seria ouvir dizer
Tomás acabou o curso
Bôa vontade prevalecer
Bôa vontade de recurso.
Dezoito anos garante
Atingir a maioridade
Um curso gratificante
Que não sirva de vaidade.
Quem te quer bem gostaria
De um futuro agradável
A ninguém ocorreria
Uma vida não estável.
Enviados a
Lili, por a irmã Natália fazer histórias de tudo e eu dar sempre continuação à história,
ainda que sem ser em verso.
9 de Julho de 2014
Numa gaveta guardada
Estava uma camisola
Mas nunca era usada
À dona não dava na tola.
Inventou uma história
Para contar à sobrinha
Deus as tenha em glória
São quási igualzinha.
Tanto filha como irmã
São algures diferentes
Precisam dum talismã
Para se sentirem contentes.
Òh que irmã, òh que filha
Serem da mesma opinião
Não leram na mesma cartilha
Nem são da mesma geração.
Agosto de
2008
Com tanta flôr plantada
Ainda fora do ataúde
Que eu esteja implantada
De boa disposição e saúde.
Adeus e muito obrigada
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