Maria Adelaide Bico (Lalai)

 (1919-2023)


Para a Taizinha

 

Oh Lar! Que doce Lar

Que eu achei tanta piada

E já teres uma inscrita

A tua amiga Eduarda!

 

Oh Lar! Que doce Lar

Mas que grande brilharete

A segunda candidata

A tua amiga Graciete!

 

Oh Lar! Que doce Lar

Fá-lo com vaidadezinha

Mas inscreves a seguir

A tua amiga mãezinha!

 

Oh Lar! Que doce Lar

Desse cérebro que imagina

P´ra fazerem o Totobola

Incluis a D. Maria Cristina!

 

Oh Lar! Que doce Lar

Como é triste este fadário

P´ra auxiliar as senhoras

Anexas o cunhado Mário!


Fizeste a tua propaganda

Convidando a prima Dilar

Acompanhada do marido

Oh Lar! Que doce Lar!

 

E dentro deste contexto

Desta unidade. Deste nó

Na medida em que, portanto,

Fim de citação e não só!

 

Da anónima – P. B. B. A. M

Ao contrário – Maria Adelaide Bico Bispo Pessoa


Resposta à mana Conceição

 

Alcácer do Sal, Carnaval de 1976

 

Mas que grande admiração

Me causou esta cartinha

Estava longe de receber

Umas quadras amiguinhas!

 

Fazer queixa de uma mana

Que só tão bem a tratou

Bateu-lhe muito, é certo…

Mas foi quem a aturou!

 

Se bem me lembro eu sei

Ainda hà dias falei nisso

Mas afinal como é?

Que já te saíu do toutiço?

 

Embirrante como eras

O que querias que fizesse

Ana Faia me chamavas

Pedias que te batesse!

 

Bofetões quando zangada

Dentadas com muito carinho

Oxalá assim te tratem

Naquele ditoso Ninho!

 

Uma resposta não esperava

Mas talento tambem herdaste

Pouco falas, menos ris

E só pensas que me aturaste!

 

Não guardes para amanhã

O que podes fazer hoje

Se te queres candidatar

Fá-lo antes de morrer!

 

Com tanta candidatura

A um Lar tão eficaz

Ainda vêem do Brasil

O Caetano e o Tomaz!

               

Burgueses e proletários

Todos entram naquele ninho

E para haver igualdade

Tratam-se todos com jeitinho!

 

Podem mandar-me dizer

Se há mais alguma falta

Para poder prevenir

E avisar toda a malta!

 

Se a nossa santa soubesse

O que se passa por lá e cá

Fazia-nos um atentado

E tirava a mesada já…

 

O que diz a tua santa

A toda esta brincadeira

Que precisamos certamente

De desinfectar a mioleira!

 

Mandaste a carta sem selo

Para a multa eu pagar

Não podes negar, que filha

De peixe sabe nadar!

 

Faço versos bem bonitos

Incapaz de dizer mal

Para dizeres injustiças

Aproveitaste o Carnaval!

 

O Entrudo já acabou

Mas devo a esta responder

Pois como reacionária

Delicada quero ser!

 

Maria Adelaide


 

Quando da visita de Sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra

 

Alcácer do Sal, 25 de Fevereiro de 1957

 

Sátira

 

Umas damas que eu conheço

E julgam ser Alfacinhas

Deram a volta a Lisboa

Para verem bem a “Rainha”.

 

Saem sem cheta na carteira

E resolveram explorar

Uma certa criancinha

Que cai que nem uma “patinha”.

 

Isto até brada aos céus

Ai Jesus! Nossa Senhora!

Se lá está mais um dia

Tinha que ir para a penhora.

 

E se os pais da inocente

Não a fossem lá buscar

Envergonhava-se a pedir

Para poder regressar.

 

Assim acabou a história

Dumas festas Majestosas

Passearam e gozaram

E armaram-se em gulosas.


Ao Pedro

 

S. João do Estoril 20 de Maio de 1970

 

De camisa e de pulôver

De gravata, que sensação!

Um relógio p'ra condizer

Oh que tara! Que tarão!


 

Escrito num postal ao neto Pedro

 

Monfortinho, 18 de Agosto de 1973

 

Gostei muito

E obrigadinhos

Dos teus versos

Tão bonzinhos.

 

São lindos

E bem feitinhos

Do meu neto

Tão queridinho.

 

Lalai


Para o Pedro

 

Alcácer do Sal, 27 de Janeiro de 1975

 

Querido Pedro

Como já fazes treze anos

E já andas no Liceu

Será que já lês uma carta?

Talvez sim, talvez não, penso eu!...

 

Cada ano que vai passando

Vais tendo outro pensar

Se conseguires ler estas rimas

Decerto não me vou admirar.

 

Domingo de Páscoa faz um ano

Um ano de má memória

Faz com que não se repita

Da tua vida, esta história.

 

Hà quinze dias de madrugada

P’ra fazer chichi me levantei

Uma escorregadela no tapete

E um grande trambolhão dei!

 

Foi tão grande a pancada

Que até vi uma estrela

Já passaram tantos dias

E ainda me dói a costela.

Faz anos a trinta e um

E à Alzira vou escrever

Que nomes me chamará

Quando a acabar de lêr?

 

É só vontade de brincar

Nesta quadra de Carnaval

São versos de pé quebrado

Vê lá tu, se parece mal!

 

Da minha parte é só gozar

E não p´ra ficar zangada

O que pode acontecer

É ficar abananada!

 

Uma resposta não espero

Pois és um grande Calão

E como aborrecida não fico

Da Lalai, um grande Beijão.

 

Maria Adelaide


Poesia Lírica

 

Alcácer do Sal, 30 de Janeiro de 1975

 

Parabéns amiga Alzira

Por mais um ano chegado

Que junto de todos os teus

Ele seja bem festejado.

 

Que pena só gostares d’água

Com tantos vinhos de barril

Que pena não teres nascido

A 25 de Abril!

 

Tua amiga Maria Adelaide


Para o Emídio Elisiário

 

Alcácer do Sal, 26 de Julho de 1975

 

Parabéns e Felicidade

Saúde, sorte e boa sina

Que seja realidade

O teres feito uma menina!

 

Aqui de longe te enviamos

Um abraço muito amigo

E também cumprimentamos

Elas, eles, te. ti, tigo

 

Dos amigos Mário e Lalai


Para a Maria Joaquina, por o marido tocar na Banda

1975

A senhora tenha cuidado

O seu marido é brincalhão

Quando ele estiver sentado

Não lhe toque no Violão.

 

A senhora tenha cuidado

Não o pique com alfinete

Quando ele estiver sentado

Oferece-lhe um Clarinete.

 

A senhora tenha cuidado

Veja lá bem como é

Quando ele estiver sentado

Que fazer com o Oboé?

 

A senhora tenha cuidado

Álerta e não incauta

Quando ele estiver sentado

Amanda-lhe com a Flauta. 

 

A senhora tenha cuidado

Ao beber xarope fino

Quando ele estiver sentado

Não queira tocar Violino.

 

A senhora tenha cuidado

Ao fazer-lhe partida gira

Quando ele estiver sentado

Obriga-a a tocar Lira.

 

A senhora tenha cuidado

Veja lá onde se agarra

Quando ele estiver sentado

Não pense na Guitarra.

 

A senhora tenha cuidado

Não queira ter telefone

Quando ele estiver sentado

É falar pelo Trombone.

 

A senhora tenha cuidado

E ponha-se bem a pau

Quando ele estiver sentado

Peça-lhe o Berimbau.

 

A senhora tenha cuidado

Sempre que sai uma anedota

Quando ele estiver sentado

Dá-lhe ração de Bolota.

 

A senhora tenha cuidado

Com a velhice vem o fim

Quando ele estiver sentado

Já a senhora não tem Flautim.

A senhora vai reler

Esta carta tão fadista

Se me mandar prender

É fascista, fascista, fascista.


Aniversário da D. Alda - Domingo Magro

 

Alcácer do Sal, 2 de Fevereiro de 1975 


Comadre, minha comadre

Sogra da minha filha     

Não consegui telefonar

Fiquei que nem uma pilha.

 

Comadre, minha comadre

Avó dos nossos Bonecos

Desejamos-lhe muita saúde

Para chegar a Bisnetos.

 

 

Com cumprimentos do Mário e meus para o Sr. Pampolim e toda a família, enviamos um abraço de parabéns.

 

Maria Adelaide e Mário


Carnaval

 

Alcácer do Sal, 27 de Janeiro de 1975

 

Meu querido Nunecas

Para ti vai um beijinho

Se a Lalai tivesse Lecas

Mandava-te dinheirinho.

 

Mas…meu querido Nunecas

Sem bagalhoça não se passa

As bolsas estão sem Tecas

E a carteira não tem… Massa.

 

Pois é, meu querido Nunecas

Como plim-plim não avistas

Arranja umas Bonecas

Baratas, Boas e Bonitas

 

Lalai


Para a Maria Joaquina - Carnaval de 1976

 

O ano passado escrevi

Uma carta à senhora

Com versos de pé quebrado

Mais valiam uma penhora!

 

Não conseguiu responder

Talvez por não achar graça

Nem me passava cartão

Quando me via na praça!

 

Mesmo na rua ou nas lojas

Sequer pra’mim olhava

E eu mortinha de festa

Até quási me mijava!

 

Toda a gente tem resposta

Diz o antigo rifão

Como não me respondeu

Não soube a sua reação!

 

Se quizer ser comunista

Para mim, não tem interesse

Se quer saber o meu partido

Eu cá sou do C.D.S.!

 

Agora vou terminar

Não quero ser maçadora

Desejo muita saúde

Prá família e prá senhora!


Para a Maria Joaquina

1976 


Que grande azáfama havia

Na casa da minha vizinha

Trabalho árduo e insano

Por causa duma mijinha

 

Ai marido, que aflição

Mas que grande mijadela

E ele de monco caído

Sem se poder chegar a ela


 

Para a Belinha, quando do seu casamento

 

Com um beijo de amizade

Desejo que sejas feliz

E crê na sinceridade

Do que o meu sentir te diz!



Para a Maria Natália - Carnaval de 1976

 

Mais vale tarde que nunca

Diz o antigo rifão

Quem espera desespera

De não saber a reação.

 

Apresso-me a responder

Senão acaba o Carnaval

Longe de mim a idéia

De ofender e dizer mal…

 

Prá minha filha coitadinha

Deus lhe dê futuro melhor

Lavar tanta chôcha murcha

E todas do mesmo teor…

 

Se a D. Graciete conversa

O que fazes então tu?

P’ra ocupares o teu tempo

Tens que limpar muito cú…

 

Coitadinho do Mairocas

Doente como ele é

Uma injeção da Eduarda

Punha-se bom e em pé…

 

Estou certa que em plenário

Teu cunhado venceria

As velhas de braço no ar

Apoiavam-no por maioria.

 

Um ninho só para rôlas

Isso é uma grande tristeza

Na companhia de um rôlo

Sempre tem outra beleza.

 

Eu no Além satisfeita

E o saber tão bem tratado

Rodeado de tanta velhinha

Nesse ninho abençoado…

 

Quanto á minha candidata

O que é que tu queres mais

Bate o record a papar

Lanches, missas e funerais!

 

Sanear uma fascista

Confesso que mete dó

Excluir uma benfazeja

Que não dá ponto sem nó…

 

Com os primos Capitalistas

Já não haveria objeções

A D. Cristina à vontade

Fazia a todos desinfecções…

 

Um ninho – lar tão mimoso

Com um horrendo passarão

Deplumavam as velhinhas

Com medo do Valadão…

 

Admitida a Vera Lagosta

Essa grande Democrata

Para já também te digo

Que é igual à tua lata…

 

A minha filha a lavar

A D. Graciete a palrar

A Eduarda a injectar

A tua mãe a rezar

A D. Cristina a desinfectar

O teu cunhado a medicar

Os teus primos a açambarcar

O Valadão a roubar

A Vera Lagosta a democratizar

A Maria Natália a governar

 

PARA TERMINAR

A Maria Adelaide não quer entrar

Neste tão amoroso Lar!


Ao Pedro

 

Meu querido neto

Aproveito a maré e apelo à tua benevolência

Uma carta eu recebi

Não queria crer de momento

Nem sequer contribui

P’ra perderes um fragmento!

 

Pôr uma carta no correio

Ser um acto emocionante

Na eminência não creio

De quem não é altivante!

 

Como embaixador autorizado

E mensageiro confidencial

Aqui vai este recado

De quem não te quer mal!

 

Tanto poder concentrado

Tão dolorosa sensação

Ía caindo p’ro lado

De me cortar o coração!

 

Eliminar tempo e distância

P’ra ti não tem valor

Fazes-me dar importância

E agradecer com louvor!


 

Meu neto, querido neto

Não te comovas tanto

Arranjaste um dialecto

Que foi todo o meu encanto!

 

Não era preciso agradecer

Pois o hábito faz o monge

Nem posso enaltecer

Quem anda sempre tão longe!

 

Um neto intelectual

Sem ter tirado um curso

É um caso magistral

Não faz figura de urso!

 

Os carteiros que diriam?

D’uma direção tão inédita

Nunca imaginariam

Ser dum neto catita!

 

Nem instrução nem cultura

Caduca e sem vergonha

Que quer esta criatura

Uma dose de peçonha?

 

Dou assim por terminada

Resposta à tua missiva

Já estou agoniada

E o palato sem saliva!


Um grande beijo da tua avó nº 4 (quatro) Maria Adelaide


Meu querido Nuninho

 

Disseste-me ao telefone

Que eu a ti não escrevia

Mas tens falta de memória

Escrevi-te uma, outro dia.

 

Vou deixar de fazer quadras

Fico com a cabeça cansada

Pode alguém vir a pensar

Que eu estou amalucada.

 

A velhice traz muitas taras

A Lalai para lá caminha

Não quero que os meus netos

Me julguem uma maluquinha.

 

Até ao dia dezassete

Se Deus Nosso Senhor quizer

No casamento estaremos

Para comer e beber.

 

Tens que ir já pensando

Em um dia te casares

Escolhe uma cara bonita

Dá mais prazer a beijares!...

 

Jeitosa e em bôa forma

Não esqueças o que te digo

A não ser que prefiras

As maminhas e o umbigo!...

 

Adeus meu querido, beijinhos do avô e da Lalai


 

Para o meu neto Pedro

 

Meu querido Pedrosinho

Minha cabeça de avelã

Adoras em 1º lugar

A mais que tudo Mamã!

 

Meu querido amorzinho

Como tu, igual não há

Preferes em 2º lugar

A tua querida Iá!

 

Meu querido netinho

Ágil, como andorinha

Escolheste em 3º lugar

A prendada da Avó inha!

 

Meu querido jeitosinho

És tão bonito Ó’i, Ó’ai

Deixaste para 4º lugar

A embirrante da Lalai.

 

Parece o campeonato

Da primeira divisão

Fiquei em último lugar

Amor do meu coração.

 

Quando eras pequenino

Oh! Tempo que já lá vai

Passavas dias em Alcácer

E gostavas da Lalai…

 

Não consigo uma resposta

Deste neto tão juvenil

Quer seja em prosa ou em verso

Antes, ou depois do 25 de Abril.

 

Beijinhos da Lalai

Para a D. Isabel Ajuda

 

Há anos que para Alcácer

Uma senhora veio viver

Quando m’a apresentaram

Muito prazer em a conhecer!

 

É natural de Setúbal

Da terra do salmonete

Tem algumas qualidades

Mas tem um grande ginete!...

 

De vez em quando um passeio

Piquenique ou patuscada

Como é doente dos fígados

Nunca pode comer nada!...

 

Faz tão mal as digestões

Que não quer fazer Turismo

Já nem vem a minha casa

Com medo do Comunismo!...

 

Acho carradas de graça

Talvez por ser ignorante

Saúde, dinheiro e Amor

Quero lá saber do “Avante”!...

 

Cultura não tenho nenhuma

Tão pouco politizada

A instrução que me deram

Não me serve para nada!...

 

Que mais quer que lhe diga

Acha bem ou julga mal?

Mas é uma brincadeira

Já fora do Carnaval.


 

Um agradecimento

 

Enviados à Lili

 

Alcácer do Sal, 8 de Março de 1976

 

 

As quadras que tenho feito

Não são para guardar

Depois de produzir efeito

São logo para rasgar!

 

Servem de divertimento

Pois não tenho muito jeito

Mas só têem um intento

As quadras que tenho feito!

 

Só uma, a minha intenção

Apenas para brincar

Em passando a comoção

Não são para guardar!

 

Esgoto o cérebro a pensar

O coração e o peito

Mas não me ponho a chorar

Depois de produzir efeito!

 

Que dinheiro mal-empregado

Em mandar encadernar

Não é para estar guardado

São logo para rasgar!

 

Muito grata e orgulhosa

De tão boas intenções

É caso p’ra ficar vaidosa

Mas não tenho ilusões!

 

Como essa ideia só me elogia

Não posso levar a mal

Com versos sem categoria

Só por amor filial!

 

Este ano mais não rimo

Dou o gozo por acabado

Abraços, beijos do íntimo

Da tua mãe, um obrigado!

 

Maria Adelaide

Para a Júlia

 

Menina Júlia, menina Júlia

Quem a viu e quem a vê

Ainda bem que vem à escola

Para aprender o A B C.

 

Menina Júlia, menina Júlia

Quem a viu e quem a vê

Sempre a impar e a gemer

A suspirar não sei porquê!

 

Menina Júlia, menina Júlia

Que raio de operação

Tiraram-lhe o mal da barriga

Deixaram-na com comichão.

 

Menina Júlia, menina Júlia

Ai quem me dera a coçar

Não ía para o S. Pedro

O que eu podia tirar.

 

Menina Júlia, menina Júlia

Faz falta um maridinho

Acredite que a curava

Com beijinhos e carinho.


Menina Júlia, menina Júlia

Talvez não desse tantos ais

Veria como gostava

E ainda chorava por mais.

 

Menina Júlia, menina Júlia

Assim não pode continuar

Se anda sempre agoniada

Como é que se quer salvar.

 

Menina Júlia, menina Júlia

É tão jeitosa, tão boa

Vai direitinha para o Céu

Sem uma zaragatoa!

 

Menina Júlia, menina Júlia

Quando está para chegar

Começo logo a crescer

Mas depois… a minguar!

 

Menina Júlia, menina Júlia

Marmelada não quer fazer

O que se leva desta vida

É feito antes de morrer.

 

Menina Júlia, menina júlia

Escrevo com todo o coração

Já que Barimbau não quer

Trate-se com um C…………


O seu apaixonado (não digo o nome porque sou envergonhado).


À Bina

 

Ficaste boa e formosa

Talvez por estar lindo dia

Ai que se o Bicho te visse

Diria: Óh!... QUE CATAGORIA!


 

Para a Conceição

 

As minhas manas Catatuas

São parvas e não têm pena

Fazem-me rir e chorar

Como Maria Madalena!

 

Se fosse do conhecimento

Da Rádio Televisão Portuguesa

Faziam um Teleforum

Com este trio, de certeza!

 

A primeira carta que enviaste

Sem selo p’ra multa pagar

Os teus santos favoritos

Quiseram-te castigar!

 

Como uma boa cristã

E religiosa a valer

Na tua Santissíma Fé

Um pecado quizeste ter!

 

Nosso Senhor não gosta

É melhor ires confessar

Fizeste-o com maldade

Ao Inferno vais parar…

 

Como certo, Deus não dorme

O CTT não me cobrou

Fiquei muito radiante

E regozijada estou…

 

Desta vez selaste a carta

Tua obrigação foi fazê-lo

Não negando a geração

Antes parecê-lo que sê-lo!

 

Quando eras pequenina

Fitas e laços usavas

Mas com o meu casamento

Fazia-te falta e choravas

 

E no Céu nos encontraremos

Que alegria nos apraz

Nessa altura é que diremos

Ó tempo volta para trás!

 

Alienada já eu estou

Rimar mais não sou capaz

Como és tu que fazes fitas

Guarda para ti o Tomaz!

 

A propósito da mesada

Da idéia tiveste arrepios

Se fizeres bem as contas

São maiores os calafrios!

 

O Mário já está cansado

Ai Jesus quem me acode

Diz o Bispo que sai caro

O Pessoa, ai que pagode

 

E neste meio ambiente

E dentro deste contexto

As vou já mandar à fava

Este ano que é bissexto!

 

A terminar já eu vou

Com uma resposta veloz

E para não seres gulosa

Não comes uma filhós!

 

Deixem-me em paz e sossego

Estou estafada de rimar

Foi o que me arranjaram

Com a gracinha do Lar!

 

Mas que grande austeridade

Obrigarem-me a versar

Com tanta severidade

Acabam por me matar!

Para a Lili

 

Tanto tempo sem noticías

Já me estava a ralar

À espera de carta todos os dias

Até que enfim a vejo chegar!

 

Fazer chamada de aviso

Não, que ía assustar

É melhor pensar com juízo

E andar eu a majicar.

 

Se o dinheiro abundasse

P’ra gasolina comprar

Ou se carro novo comprasse

Já me tinha posto a andar.

 

Foi posto na oficina

O calhambeque a arranjar

Com vontade e gasolina

As saudades vou matar.

 

À Sílvia escrevi cartão

Também “fina” me quis portar

E mandei dizer que não

Não era possível acompanhar.

 

O paizinho não gostou

De cartão a convidar

Amigo intimo sou

E pensava ser familiar.

 

Com a prenda não me prendo

Qualquer coisa hei-de comprar

Em Setúbal andei vendo

Mas resolvi aguardar.

 

E quando for a Lisboa

Tenho tempo de pensar

Não quero coisa muito boa

Apenas que possa agradar.

 

Temos de ir a Palmela

O Fernando visitar

Uma menina, teve ela

Outra prenda pra comprar.

 

E nessa altura aproveito

A prenda da Sílvia levar

Duma cajadada faz jeito

As duas coisas levar.

 

Os versos? Muito engraçados

A fotografia de encantar

Meu coração desgostado

A velhinho o ver chegar.

 

A velhice é uma tristeza

Que a todos vem rondar

Mas também deve ter beleza

Os bons tempos recordar.

 

Pelo retrato obrigado

E apesar de velho estar

E do coração cansado

“Inda é um traço de TARAR”!

 

Para mim é grande desgosto

A sério, nisso pensar

Mas quando passa um “Agosto”

Tenho que me conformar.

 

O meu desejo é igual ao teu

Dos meus anos lá passar

Mas depende do “Bispo” meu

Querer ou não concordar.

 

Os versos do Zé são giros

Os meus? A imitar!

Merecia mais dois tiros

Que me estar a cansar.

 

É uma versada manhosa

Mas chega para rimar

É pena não ser gostosa

Nem tão pouco agradar

 

Mas como não sou vaidosa

E é apenas para brincar

Uma resposta tão airosa

Não vão vocês esperar

 

E eu aqui muito saudosa

Dos meus netos não beijar

E nem com eles brincar.

 

Com abraços e saudades

Assim eu vou terminar

Beijos da Maria Adelaide

Que já não os quer enjoar.

 

Já chegou de brincadeira

Não digam que estou a abusar

Esquecia-me de tal maneira

Ao resto da família cumprimentar.

 

Maria Adelaide


 

Cara linda do Nuno

 

Alcácer do Sal, 10 de Outubro de 1976

 

Ai meu querido Nunecas

Como o tempo tem passado

Gostas tanto de Fanecas

Inda mais de Linguado…

 

Quantos mais peixes melhor

Se faz boa caldeirada

Para tirar o sabor

Uma boa marmelada…

 

Muitos beijinhos da Lalai


 

Para o meu neto Nuno

 

Carnaval de 1976

 

Bom aluno, bom estudante

É o meu Nunecas amigo

Apesar de ser meu neto

Não é parecido comigo!

 

Levanta-se e faz a cama

Trata do pequeno almoço

Apenas com onze anos

Temos ali um belo moço!

 

Adora brincar na rua

E à bola só quer jogar

Em vez de estragar botas

Ficava em casa a Costurar!..

 

É um grande desportista

Ainda com pouca idade

Mas aconselha à Mamã

As regras da austeridade!

 

Mas afinal como é?

Que tanta poupança quer?

Se gasta tanto calçado

Mesmo sem a mãe querer!

 

Já chega de tanta asneira

Para brincar ao Entrudo

Se me mendas passear

Vejo Braga por um canudo!...

 

Beijinhos da Lalai

Resposta a um convite / festa de Carnaval, em casa da Lili

 

Alcácer do Sal, 4 de Fevereiro de 1991

 

Uma carta recebi

Com um programa genial

Só que eu não antevi

Ser brincadeira de Carnaval!..

 

Com um banquete tão lauto

É capaz de fazer mal

Terás de pegar no auto

E levares-me ao hospital!..

 

Não sei debater politíca

Jogos de sorte também não

Como já estou raquítica

Só sirvo de paspalhão!..

 

A pista não me faz falta

Pois dançarina não sou

Posso ver dançar a malta

E distraída já estou!

 

Uma filha eu gerei

Não é parecida comigo

Como é que me arranjei?

Só deve ser no umbigo!...

 

Recordar o Carnaval

Agora na decadência

Bons momentos sem igual

Passei na adolescência!

 

Que risotas eu fazia

Nas brincadeiras de Entrudo

Era grande a companhia

Mascaravam-se de tudo!...

 

De Alcácer, a Lisboa, a Palmela

Intercâmbio colossal

Com uma telefonadela

Brincava-se ao Carnaval!...

 

E é com muita saudade

Que penso nesses momentos

Momentos de felicidade

Em que não havia tormentos!

 

Com esta grande atitude

Que seja bem-sucedido

Que todos tenham saúde

E o cofre não fique falido!

 

Responda se faz favor

Está aqui a resposta

Foi feita com tanto ardor

Que já me sinto mal disposta!


À Lili, acedendo ao seu pedido de fazer uns versos

 

Amor a quanto obrigas

Diz o antigo rifão

Mais vale não ter amigas

Que ter esta obrigação.

 

Não sei se conseguirei

Filha das minhas entranhas

Com certeza errarei

Dizendo muitas patranhas.

 

Ao teu pedido acedendo

Com remorsos não vou ficar

Serão beras, e eu entendo

Não me poderei glorificar!

 

P´ra te fazer a vontade

Fico com o cérebro cansado

E depois desta maldade

Veremos o resultado.

 

Que grande paciência

Estar aqui a recordar

Com vontade e persistência

Se ainda sei versejar.

 

Lembrar o tempo passado

Nem eu sei como dizer

Não é como diz o ditado

Que recordar é viver.

 

Quando me punha a rimar

Era grande a satisfação

Agora p’ra te agradar

É com mágoa no coração!

 

Se o rimar aliviasse

As tristezas da nossa alma

Mesmo versos sem classe

Eu os faria com calma.

 

Inda não estás satisfeita?

Que defeitos tens a pôr?

E como não te deleita

Deita fora, faz favor!

 

Se aquilo que estou sentindo

Se pudesse transmitir

Juro que não estou mentindo

Não dava vontade de rir!

 

Fico mais desiludida

Do esforço que estou fazendo

Sabia que estava perdida

Mas não que s´tava perecendo!

 

Depois de velha e caduca

Com a memória falhada              

O que precisa esta maluca

È duma grande lambada!

 

Se eu soubesse demonstrar

Em versos de pé quebrado

O que vai na minha mente

Depois deste arrazoado

Só teria que te louvar

Do passado e do presente!

 

É pior do que um exame

Filha do meu coração

Que queres mais que te faça?

Depois desta grande desgraça

Será que tenho absolvição?

Para castigo um vexame

Era a melhor solução!...

 

Os meus netos que dirão

Da avó estar tão louca

Metam-na no manicómio

E enfiem-lhe uma touca

Não percam a ocasião

Antes que seja tardio

E não tenha solução

P’ra não causar mais calafrio

Recebam um xi coração!...


Resposta a umas quadras feitas e enviadas pelas professoras Maria Lúcia Rosado e Luísa Rama de Oliveira, quando do meu aniversário de casamento

 

Alcácer do Sal, 13 de Fevereiro de 1968

Convite

E para comemorar

 Vinte e nove anos passados

Umas amigas p’ra conversar

Podem tornar-se animados.

 

Aproxima-se a velhice

Cá por dentro que tristeza

Poderá ser patetice

Mas ainda tem sua beleza.

 

Mesmo sem grande recurso

Consegui algo de novo

Influência do concurso

“Grande poeta é o povo”.

 

Sendo boas professoras

Não me queiram reprovar

P’ra fazer versos minhas senhoras

O que é preciso é rimar.

 

Dia treze faz um ano

Que uma carta recebi

Duma amiga não me engano

Pois provou-o quando a li.

 

Mais um que se passou

Vinte e nove vamos fazer

Como banquete não dou

Gostaria de as cá ter.

 

Uma noite está prometida

E não há meio de chegar

Espero muito convencida

Que podem aproveitar.

 

Não é um fim-de-semana

Nem tão pouco um feriado

Só se o sono não me engana

For ele o grande culpado.


 

Para a Natália com a oferta de uma bolsa para os fósforos

 

Alcácer do Sal, 25 de Dezembro de1967

 

Se quiseres enfeitar

A chaminé com fofaí

Podes aproveitar

Porque foi feito p’ra ti!

 

Grande poeta é o povo

E como eu não há igual

Saúde para o Ano Novo

Alegria para o Natal.


 

Resposta a uns versos feitos pela minha irmã Natália, quando trocámos a bicicleta a motor, por um carro

 

Agradeço os Parabéns

Que já eram esperados

Não merecia a pena

Estarem com tantos cuidados.

 

A todos muito obrigado

P’la vossa boa intenção

Ainda dou bem à perna

Sem vias de extinção.

 

Nesse tempo que já passou

Mas que não era de colo

Sem caruncho, sem horror

Andava eu de CUCIOLO.

 

Passa o tempo, passa a vida

Falha também a memória

Há engano na LAMBRETTA

Porque foi uma GLÓRIA.

 

Para ver se revigora

Não é com a MARGARIDA

Tenho uma espada melhor

Que é a minha querida.

 

De foguetão não viajo

Porque me faz tremelique

Quando o jogo modificar

Há-de ser de SPUTNICK.


 

Versos feitos à D. Maria Amélia

 

Amizade feita quando da nossa estadia nas Termas de Monfortinho

 

Conheci uma senhora

Nas Termas de Monfortinho

No carro lhe demos boleia

Por ser longe o caminho!

 

Estando na mesma Pensão

Certa amizade travámos

Em agradável companhia

Aqueles dias passámos!

 

Por cartas ou telefone

Boas relações tivemos

Foi sol de pouca dura

Qual a mágoa não sabemos!

 

Prometeu-nos uma visita

Com agrado aguardámos

Ficou em águas de bacalhau

E não mais a avistámos!

 

Tê-la-ia ofendido?

Pensva com os meus botões

Se mais penso, menos vejo

Do silêncio, as razões!

 

Mais voltas que dê à memória

Não consigo explicação

Doenças com muito trabalho

Ou falta de ocasião?

 

Se fossem extraviadas

As cartas que tenho escrito

Uma ou duas, é natural

Mas todas, acho esquisito!

 

Não mais ficámos sabendo

Como está da sua cara

Pois tínhamos satisfação

Em saber que melhorara!

 

Que pessoa maçadora

Teimosa até mais não ser

Já a mandei passear

Inda me está a aborrecer!

 

Que reacção será a sua

Ao receber esta carta

Certamente me dirá

Desta mulher estou farta!

 

Como o mês de Fevereiro

É quadra de Carnaval

Com esta minha brincadeira

Espero não parecer mal!

 

Cumpre a lei da austeridade

Prossegue na poupança

Ora dentro deste contexto

Cortou-nos a ALIANÇA!

 


 

Meu querido neto Pedro

 

Alcácer do Sal, Maio de 1993

 

Que admirada eu fiquei

Em saber uma novidade

Tão contente proclamei

Desejar-te felicidade!

 

E se eu acreditasse

Em Deus Nosso Senhor

Pediria que te enviasse

Lá do Céu grande louvor!

 

O teu amor p’la Rosinha

Seja uma realidade

Parece boa mocinha

Merece sinceridade!

 

Os parabéns ainda não dou

Pois prematuro pode ser

A agourar não estou

Mas tudo pode acontecer!

 

Sempre em ti confiei

Não me vás desiludir

É verdade não sonhei

Augurar-te um bom porvir!

 

Saúde, paz e amor

Cabecinha no lugar

Dá prova que tens valor

E te sabes orientar!

 

Será que tens paciência

De ler esta carta minha?

Confio na benevolência

Da tua querida Rosinha!

 

Ando muito atarefada

Não tenho vagar p’ra mais

Dar-me-às uma bofetada

Ou ir apanhar pardais!

 

Um beijo e um abraço para os dois, da avó amiga

 

Maria Adelaide


 

Resposta a um telefonema anónimo

 

Três famílias variadas

Oh! Que santa geração

Cocós, ralhetas, facadas

Fizeram uma combinação.

 

E que paródia teria havido

Na Rua Damião de Góis

Cujo efeito foi produzido

Vinte e quatro horas depois.

 

P’ra gozarem um infeliz

Qual o motivo e porquê?

Não é Opel, não é Morris

Mas é um tal… 2 CV.

 

Fazem troça dos Magalas

Que não aspiram a Capitães

Até nos deixam sem fala

Ao chamarem Carros para cães.

 

Tomaram parte e partido

Lisboetas e Palmelões

Mas era mais divertido

Comerem uns ca……………


 

Resposta a uns versos feitos pela professora Maria Lúcia Rosado, quando do aniversário dos meus 28 anos de casamento

 

Alcácer do Sal, 13 de Fevereiro de 1967

 

Quando o carteiro entregou

Uma carta sem remetente

Na minha ideia não passou

Que ficasse tão contente!

 

Escusado será dizer

Que mesmo só, dei gargalhada

Não sabia de quem era

Mas não estava pasmada!

 

Apesar do anonimato

E  inda antes de ser lida

Vi logo que se tratava

De uma boa partida…

 

Partida de boa amiga

Com a melhor intenção

A quem muito agradecemos

A sua consideração

 

São versos de pé quebrado

E  feitos a 60  à hora

Saímos no calhambeque

E fomos almoçar fora.


 

Resposta a umas quadras feitas pelas professoras Maria Lúcia Rosado e Luísa Rama, quando de um roubo efetuado no nosso armazém de materiais de construção.

 

Alcácer do Sal, Carnaval de 1967

 

Um convite venho fazer

A uma grande amiga

Pois não a tenho na conta

De arranjar uma intriga.

 

Uma amiga mui jeitosa

Tão alegre e jovial

Confesso que tinha pena

Me quisesse fazer mal.

 

Vens cá passar o serão

E ficarás contente

Faço anos de casada

Dia 13 do corrente.

 

Não é um caso falado

Nem isto merece a pena

Basta-me viver contente

E saber que sou morena.

 

Desculpa se te aborreço

E a isto não achas graça

Outra vez que queira brincar

Dirijo-me a uma louraça.

 

Diz-se que p’lo Carnaval

Tudo se pode dizer

Se o caso fosse comigo

Decerto não me ía ofender.


 

Meu querido neto Pedro

 

Alcácer do Sal, Agosto de 1993

 

Quem havia de pensar

do meu neto querer  casar

com uma flôr a desabrochar

uma rosa de encantar

pelo cartão, o nó vão dar

junto dela no altar

fidelidade vais jurar

p’ra toda a vida a amar

bem a podes estimar

e p’ra ela não desanimar

não olvides de a regar

porque se a rosa murchar

rebentos não pode dar

e a prole não aumentar

depois não te podes queixar

nem tão pouco a execrar

e se a rosa desfolhar

não poderás remediar!

Venho aqui para augurar

um futuro de lisonjear

para a todos alegrar!

Mais não posso ambicionar

felicidades venho desejar

boa saúde e paz no Lar

com filhos para criar.

Uma varinha p’ra te fadar

Ò quem me dera arranjar!

Não querendo desgostar

nem tão pouco alterar

o que de mim estão a pensar

esta carta vais protestar

o que não vou duvidar

nem me custa acreditar

que tu mandes passear

a tua avó em 4º lugar.

Não me queiras abominar

Tudo isto é a brincar…

Se o diabo me apanhar

manda-me logo incendiar

e quem me há-de salvar

se no Céu não puder entrar?

Para não te irritar

vou assim terminar

 muitos beijos vou enviar.

 

 

Maria Adelaide


 

Para o meu neto Nuno Miguel

 

Alcácer do Sal, Fevereiro de 1992

 

A tua mãe me pediu

P’ra uma envolta fazer

Mas imediatamente viu

Dar-me um chilique e morrer.

 

Tudo pode acontecer

Nesta vida sem se esperar

Já agora… depois de nascer

Pois o bebé quero admirar.

 

Minha filha assim o disse

Ocorreu-lhe de momento

Mas pensou se eu partisse

Não era deslumbramento.

 

Posso estar senil ou demente

O amanhã ninguem prevê

Mas o destino não mente

Quem cá estiver é que vê.

 

Que delícia e que prazer

Eu terei nesse bébé

Nessa data não tou a ver

Que já esteja XÉXÉ.

 

Será menina ou menino?

Será parecido com quem?

Oxalá que o destino

O traga p’ra vosso bem.

 

Com muita sorte e saúde

Para os pais e para avós

Eu por mim num ataúde

Já não posso pensar em vós.

 

Depois do trabalho feito

O pernil posso esticar

Com sabedoria e jeito

Me podem eliminar.

 

 

Com um beijinho da Lalai

Para o Tomás

 

Alcácer do Sal, 11 de Novembro de 2002

Meu feio,

 

Tomás bisneto querido

Irrequieto e ladino

Sempre com muito sentido

Muita graça e pouco tino.

 

Gostas de ir à escola

Já tens estado de castigo

Toma juízo na tola

Ouve bem o que te digo

 

Ainda não sabes ver

Que és parecido com teu pai

Por isso não vais querer

Ouvir a carta da Lalai.

 

És um grande sabichão

Só nos queres enganar

Estou cheia de confusão

Por isso vou terminar.

Enviando um xi-coração

                                                                                                                                                                           

Lalai


 

Para a Mariana

 

Alcácer do Sal, 23 de Setembro de 2002

Mariana querida,

Ainda não sabes ler

Esta carta que te envio

Mas como vais aprender

Lê-la-hás de fio a pavio.

 

De ir à escola tu gostas

E se fôr boa a professora

Com uma perna às costas

Chegarás a ser Doutora.

 

Depois de muito saberes

Gozarás tua bisavó

Com razão para dizeres

Pateta, até mete dó.

 

Desejos de tudo bom para ti e Andreia,  não esquecendo o Tomás

 

Muitos beijinhos para todos da Lalai 


 

Para Andreia

 

Alcácer do Sal, 11 de Novembro de 2003

Querida Andreia,

Enviei à tua mana

Uma carta pequenina

Se a memória não me engana

Era pobre mas genuína.

 

Não quero que desanimes

E pensares que te desprezo

Peço que me redimes

Um padre-nosso eu rezo.

 

Penso que a minha amizade

Não faz diferença das duas

Lembro sempre com saudade

Brincadeiras e falcatruas.

 

Se não souberes interpretar

Tua mãe te explicará

Pôr uma velha a rimar

Ao diabo não lembrará.

 

Vai escrito com muitos erros e falta de pontuação mas melhor não consigo. É só para brincar convosco. Muitos beijinhos da Lalai 


Aos bisnetos           -          Outubro de 2003

 

Andreia, Mariana e Tomás

São meus bisnetos queridos

Muito amigos e traquinos

A primeira tem os cinco sentidos

Mas de fazer birras é bem capaz

A segunda gosta muito de meninos

Amiga de rir e de brincar

Do terceiro o que dizer?

Estamos sempre a ralhar

Faz ouvidos de mercador

Quando estão a conversar

Qual deles o mais engraçado

Arranjam histórias para contar

E ficam todos babados

Como não tenho que fazer

Estou de janela vendo chover

Termino aqui esta tragédia

Que dá vontade de chorar

Façam daqui uma comédia

Que possam representar

Da autoria de uma maluca

Que já não está boa da cuca!...

Muitos beijinhos com saudades

De jogarmos à mana Macaela

O que vocês preferiam de verdade

Era jogarem-me pela janela

 

Lalai


Para o Carlos Augusto

 

Dia do seu casamento, em 17 de Março de 1975

 

A vinte e cinco de Agosto

Vieste à luz do dia

A dezassete de Março

Não poupes a Energia!...

 

Raiaste em Alcácer do Sal

Em plena tarde, claro está!

Para a noite da Coligação

Escolheste Massamá!...

 

Cuidado com as Intentonas

Que só prejuízo dará

Fazes a Descolonização

E a Reação não passará!...


 

Para o meu neto Pedro

 

Carnaval de 1976

 

 

Tenho um neto mui moídor

Mas por ser um brincalhão

E como colecionador

Não dá pena nem paixão!

 

Passou uma quadra mui catita

Sem se vestir, sem se lavar

Entretido como Filatelista

Só em pijama quis andar!

 

Para não mui se cansar

E como quieto não estava

O Rucas ía buscar

E a Lalai é que pagava!

 

Tenho um neto mui liró

Que me faz tanta tropelia

Em 4º lugar tem a avó

Não dá tristeza, dá alegria!

 

Com esta carta mui ranhosa

Termino mas mui contente

Da Lalai que é mui babosa

Por ter um neto mui ridente

 

Quem tem um neto Liró

A riqueza da sua avó?

Que nos miolos só tem pó

Fim de citação e não só!

 

Abraços da Lalai


 

Feitos de imediato, após uma chamada telefónica minha, a incitá-la a fazer quadras para sua distração.

 

24 de Agosto de 2003

 

Uma filha rica não tenho

Mas tenho uma rica filha

Por vezes me abstenho

De ficar que nem uma pilha.

 

Não uma pilha eléctrica

De nervos dou a certeza

Se eu fosse mui tétrica

Metia-me numa Fortaleza.

 

Fortaleza? Que horror!

Agora com esta idade!

A minha filha por amor

Preferirá a minha Liberdade!

 

 

Com desejos de saúde

 

Maria Adelaide


 

Humor Negro

 

Carnaval de 2004

 

No dia em que eu morrer

Volto a ressuscitar

Quem comigo estiver

Decerto vai desmaiar.

 

Entra mosca ou sai asneira

Desta boca tão airosa

Mesmo sendo brincadeira

Tem laivos de venenosa.

 

Digam lá que não mereço

Um castigo bem penoso

Não abusem, lhes peço

É só para lhes dar gozo.

 

Um pensamento tão louco

Só pode ser de maluca

Para Rilhafoles é pouco

Não tem remédio esta cuca.

 

Que grande calamidade

Por esta cabeça pairou

Beijinhos de muita amizade

E a desgraça terminou.


 

Enviados ao Tomás, depois de este ter telefonado a convidá-la para os anos

 

Maio de 2004

 

Meu querido bisneto

Longe do meu coração

Ele é tão irrequieto

Já tem vindo parar ao chão.

 

A Alcácer vem de visita

Nada pára nas suas mãos

Pega na corneta e apita

Até parece um batalhão.

 

Das primas é muito amigo

Gosta de brincar com elas

Com os três eu não consigo

Escapar sem ter mazelas.

 

Numa grande correria

Caí e parti a testa

Com grande euforia

Riram e fizeram a festa.

 

Um abraço pouco apertado

Para ti e para o pai

Pelo convite muito obrigado

Saúde e juízo, deseja a Lalai.


 

Uma história pouco animada para fazer as pedras da calçada

 

Outubro de 2004

 

Uma velha desvairada

Quase descabelada

A boca desdentada

Feia e mal cuidada

Pouco porca, muito asseada

Digam lá se esta fachada

Não está atribulada

Modificá-la não há nada

Bom remédio uma chapada

Presa e amarrada

Por opção asilada

Deus a tenha abençoada

Até à última morada

Valha-me Santa Mafalda

Para chegar lá animada

Termino a fantochada

Estou mesmo desequilibrada

E já me sinto traumatizada

Acudam que estou chanfrada.

Com oitenta e cinco anos

Já devia ter juízo

Para evitar desenganos

Muito menos prejuízo.

 

Chegar à terceira idade

Prova bem a criancice

Sabe toda a comunidade

Portanto não é aldrabice.

 


Anos da Taizinha

 

Feitos a 13 de Novembro de 2004, dia de anos da Taizinha, quando lhe pedi por telefone que fizesse uma quadra em que falasse de bombons, para juntar à minha oferta. Como sempre, dez minutos depois o telefone tocou e em vez de uma, vinham seis!

Resolvi dividi-las. Duas foram com os bombons e as outras quatro, como recordação da infância delas.

 

Que grande trambolhão

Tu deste ao nascer

Com a pancada no chão

Vieste ao Mundo padecer.

 

Da cachimónia é certo

Só não consigo perceber

Estudaste com acerto

E eu só aprendi a ler.

 

Foste grande professora

Em mim nada alterou

Fiquei presa à vassoura

E fui aquilo que hoje sou.

 

Palavras leva-as o vento

Mana das minhas entranhas

São Martinho te dê alento

E comas muitas castanhas.

 


 

Para os bombons

 

És tão bonita e airosa

Com sapatos de pompons

Como não és muito gulosa

Toma lá estes bombons.

 

Que te sirvam de proveito

Deseja a tua sobrinha

Ao estomago e ao peito

E não MAL à barriguinha!


 

Bisnetas Andreia e Mariana

 

Feitos em 4 de Dezembro de 2004, e enviados às bisnetas Andreia e Mariana.

A protagonista da história, sou eu!

 

Era uma vez uma avózinha

Protagonista desta historiazinha.

 

Conheço uma costureira

Ao pé da janela a coser

Pondo os utensílios na beira

Fez a tesoura desaparecer.

 

Por toda a parte se procura

Ao lixo deve ter parado

Mas parece uma loucura

Entrar na bainha do cortinado.

 

Por incrível que pareça

É a verdade nua e crua

Longe de alguma cabeça

Ter havido falcatrua.

 

Bruxedo não foi de certeza

Almas do outro Mundo também não

Mas garanto com firmeza

Que alterou meu coração.

 

Para o neto Nuno, nos seus 40 anos

 

Festejaste os quarenta

Com muitos da tua amizade

Faço votos que aos noventa

Sintas a mesma felicidade.

 

Tantos anos? Que maçada

Muita coisa se irá passar

Mesmo com a ciência avançada

Viagra terás de tomar.

 

A ternura dos quarenta

Diz a cantiga do Paco

Com essa idade não se aguenta

Nem com a companhia do Baco.

 

Não me deves agradecer

Que a idéia não foi minha

Acredita podes crer

Partiu da tua mãezinha.

 

Cedi, mas acho caricato

Anuir a este devaneio

Era melhor ver o Malato

Que divagar este paleio.

 

Amor a quanto obrigas

Diz o antigo rifão

Mas não quero que me digas

Se tenho razão ou não.

 

E sem mais intrigas

Envio-te um grande beijão.


Para as manas Pampolim

 

Férias de Natal 2004, em casa da avó Lili

 

Tenho duas bisnetas catitas

Que já têm grande escola

A mais velha faz grandes fatias

A mais nova, muito tento na carola.

 

Quando estão na brincadeira

São piores que duas bichas

Com maldade e muita asneira

Vão-se lembrar de salsichas.

 

O primo entra na dança

Dos três qual o pior

Depois do vendaval, a bonança

Acabar a história, é melhor.

 

Que grande salsichada

Houve naquela refeição

As mais velhas assombradas

Iam morrendo de comoção.


 

24 de Janeiro de 2005

 

Enviados à Lili

 

 

Se mostrares a alguém

Minhas boas disposições

Garanto que do Além

Apareço-te aos serões.

 

 

 

 

Não te esqueças!

 

 

 

Maria Adelaide


 

Para a mana Natália

 

Carnaval de 2005

 

Como o Carnaval é cedo

Apetece-me brincar

Julgo não meter medo

Estar só, e divagar.

 

Não recordo certos factos

Muitos anos dormi contigo

Não senti picos de cactos

Mas chichi até ao umbigo.

 

Pessoas e animais

Tudo servia para casar

O gozo era demais

Até dormir e sonhar.

 

Fazias grandes piruetas

Daí chamarem-te maluca

Por causa das tuas trêtas

Não estou eu, boa da cuca.

 

Que boas recordações

Tem qualquer meninice

Não havia televisões

Inventava-se parvoíce.

 

Lembranças com certo sabor

O que ficou para traz

Não têm muito valor

Mas para nós muito apraz.

 

Quando um murmúrio ouvia

O pai amigo ralhava

Mas, contudo, todavia

Nada nos mosletava.

 

Quando eramos pequeninas

Usávamos fitas e laços

Como somos genuínas

Em vez de um, dois abraços.


 

Feitos para a Mariana

 

Feitos em Maio de 2004, depois de Mariana ter telefonado a dizer precisar de uma quadra, para um trabalho no Colégio, em que entrassem as palavras BRUXA e CALDEIRÃO. Dez minutos depois o telefone tocava e a quadra estava pronta. Não uma mas sim duas, para se poder escolher.

 

Quando eu era pequenina

Caí dentro de um caldeirão

A bruxa que era ladina

Tirou-me com uma poção!

 

Conheci um lindo ratinho

Cozido no caldeirão

Uma fada muito feia

Salvou-o com uma poção.


 

Para Andreia

 

 

27 de Março de 2006

 

 

Querida Andreia

 

 

Para não só te entreteres a ver novelas, tens este passatempo. Decifrares esta prosa.

 

 

Será poética

Será lírica

Será gótica

Será românica

Será germânica

Será rica

Será médica

Será benéfica

Será maléfica

Será cómica

Será tétrica

Será política

Será fanática

Será neurótica

Será psiquiátrica?

É com certeza!

 

Mas que grande Tarada

Existe nesta morada

Alguma alma incarnada

Entrou e deu-lhe pancada

Mas que enorme lambada

Merece a desmiolada

Como não pode fazer nada

Faz-se de engraçada

Mas como não tem piada

Devia ser utilizada

No forno e ser queimada

Para não mais ser lembrada

 

Que tal esta chachada

Razão para ser maltratada

Já é tempo de ser encovada

Sem cabelo e desdentada

E é assim que vou finada

Já não se vive apaixonada

Nem tão pouco desejada

Melhor é ser engaiolada

E esta fica assim encerrada!

 

 QUE GRANDE CARTA AMALUCADA!

  

Minha querida neta, vais ao dicionário ver o que eu escrevi mal. Uma brincadeira inofensiva para te dar trabalho e aprenderes o significado de algumas palavras, se assim te apetecer.

 

Beijinhos da Lalai


 

Para a Andreia

 

21 de Março de 2005

  

Era uma vez uma menina

Catita e pouco estudiosa

Que Deus lhe dê boa sina

P’ra estudar e ser famosa.


 

Para a Mariana

 

 

21 de Março de 2005

 

 

Era uma vez uma menina

Catita e muito estudiosa

Que Deus lhe dê boa sina

E continue a ser opiniosa.


 

Para o Tomás

 

 

21 de Março de 2005

 

 

Era uma vez um menino

Catita, mais ou menos estudioso

Que  Deus lhe dê bom destino

Para tirar um curso famoso.


 

Para Andreia

 

Feito com a colaboração de Mariana, quando no dia de Natal, Andreia não veio almoçar como era tradição.

 

 

O primeiro Natal sem ti

Foi deveras doloroso

Esperemos que não se repita

Para não ser tão choroso.

 

Para falares com Cláudio

Tiveste de ficar de cama

Fizeste uma má escolha

Isso é próprio de quem ama.

 

Do cabrito à tarte de pêssego

Perdeste uma boa refeição

Mas nestes versos enviamos

Toda a nossa afeição.

 

O teu sorriso nos encanta

Querida Andreia fazes falta

As prendas vais ter de abrir

Com um grande beijo da malta

 

À minha bisneta mais velha

Sentindo falta do seu convívio

Desejando-lhe as melhoras

Um abraço eu envio.


 

Para a Mariana

 

 

Alcácer, 30 de Abril de 2008

 

 

Já estás com 12 anos

O tempo passa a correr

O futuro não te dê danos

Que o curso está por fazer.

 

Uma menina que eu cá sei

Que é muito estudiosa

Cumpre tudo dentro da lei

Por isso é muito opiniosa.

 

Querida neta Mariana

Muitos beijos e abraços

És uma menina com gana

Já não usas fitas e laços.

  

Um beijo da Lalai


 

Para Lili e Conceição, quando da ida das duas a um SPA.

 

 Janeiro de 2009

 

 

Que tarde deliciosa

Elas passaram no SPA

Terão noite preciosa

Sem sonhos de caracácá.

 

Juntaram-se as 2 à esquina

A tia com a sobrinha

Não tocaram concertina

Mas não tardaram na caminha.


 

Feitos a 2 de Janeiro de 2004, ainda em férias de Natal, a pedido de Mariana, para um trabalho no Colégio.

 

 

Gosto muito do Pai Natal

E das prendas que recebi

De todas gostei muito

E da casa da avó Lili.


 

Enviados à irmã Natália, quando esta fez um plano telefónico com a Portugal Telecom

 

 

Minha mana tem um plano

Que lhe dá muito prazer

Ela fala, fala, fala

E vê o dinheiro a crescer.

 

O plano resulta tanto

Que ela está sempre a falar

E no fim para meu encanto

Sou eu que fico a ganhar.

 

Continua com o plano

Mana do meu coração

Que lucramos todas nós

A ouvir a tua voz

Sem gastarmos um tostão.

 

Rica mana parabéns

Rica porque tens cortiça

Rica porque não tens

Uma mana com cobiça.

 

Dar-te uma prenda não posso

Surpreendida morrerias

Antes rezes um Padre-nosso

Para que vivas muitos dias.

  

Amem


 

Para Andreia

 

 

Andreia primeira bisneta

Filha de um neto idolatrado

Julgo que não é pêta

Nem humor falsificado.

 

Aos doze anos quem diria

Para treze faltam mêses

Mas foi com pouca alegria

Que recebeste os inglêses.

 

O seu nome em medicina

Penso ser menstruação

Deixamos de ser menina

Mas mulher ainda não.

 

Quando tinha essa idade

Não era nada formosa

Alá tenha piedade

Desta velha já rançosa.


 

Enviados à Cristina, quando mudou de casa, como se fosse eu, Lili, a oferecer ajuda.

 

 

Cristina prima adorada

Como vais mudar de casa

Aproveitas a lufada

Desta amiga que está em brasa.

 

Mulher-a-dias perfeita

Não imaginas do que é capaz

Toda a gente se deleita

De todo o género que faz.

 

O trabalho é barato

Quinhentos euros por hora

Não provoca desacato

Feito o serviço vai embora.

 

 

Saúde e boa sorte


 

Para o Tomás

 

 

Quando eu tinha doze anos

Bonita era esta idade

Nasceu outra menina que----------

Mas era uma celebridade.

 

Já estás um homenzinho

Saúde e sorte te auguro

Um abraço e um beijinho

Felicidades no futuro.

 

Para o meu neto Tomás

Desejos do coração

Que mostre ser bom rapaz

E o curso não fique em vão.

 

Prevejo em pensamento

Uma bonita história

Que lá no firmamento

Saiba da tua vitória.

 

A avó Lili é peganhenta

Não me deixa em paz e sossego

Quer que eu com mais de oitenta

Faça rimas sem apego.

 

Ponto final mais não digo

Não me chamem aborrecida

Fico zangada contigo

Até ao resto da minha vida.


 

Para as netas Andreia e Mariana

  

1 de Setembro de 2003

  

Andreiazinha e Marianinha

Acabaram-se as férias

Ficaram muito moreninhas

Mas mais bonitas? São lérias.

 

Agora toca a estudar

Para tirarem um curso

Com vontade de trabalhar

Não fazem figura de urso.

 

Minhas amigas que bom é ter

Saúde em primeiro lugar

O que conseguirem ser

Não posso imaginar

 

Para os pais muita alegria

Para avós um Bem-estar

Vão crescendo e um belo dia

Arranjam um noivo para casar.

 

Com um sapo encantado

A Andreia vai namorar

Em príncipe transformado

È um bonito exemplar.

 

A carochinha da Mariana

Encontra um João Ratão

Quando lhe der na gana

Mete-o no caldeirão.


 

Para a Andreia

  

Foi batizada de Andreia

A minha primeira bisneta

Garanto que não é feia

E não tem nada de pateta.

 

Gosta muito de dançar

Anedotas não têm conta

Mas tempo para estudar

È sempre hora de ponta.

 

Não é uma neta famosa

Por vezes mal-humorada

É bonita e formosa

Até gostava de ser fada.

 

Da Televisão, é uma Fã

Novelas, nem se fala

Para as lições cabeça vã

Que até precisa de uma tala.

 

Que grande maledicência

Da bisneta dizer mal

Confesso já é demência

Manda-me para o hospital.

 

Diz lá minha querida

Onde é que está a graça

Tenho a memória falida

E tu não achas chalaça.

 

Um abraço da Lalai


 

Para o Tomás

 

Era uma vez um menino

Muito feio e sem graça

Irrequieto e traquina

Não digam que é chalaça!

 

Que grande coincidência

O menino chamar-se Tomás

Mas com muita paciência

Castigá-lo quem é capaz?

 

Tenho um bisneto tal e qual

Quem é que não acredita?

Oh Céus não leves a mal

É sincero e não é fita!

 

Atrevido e ousado

Como ele pouco haverá

É um grande descarado

No futuro o que será?

 

Não me condenes te peço

São feitos com muito carinho

Meu bisneto me despeço

Com um abraço e um beijinho.

 

Saudades e beijos da Lalai


 

Feitos à Mariana, que até esta data nunca fizera chichi na cama. Tinha oito anos

 

 

Uma história pouco animada, para fazer chorar as pedras da calçada.

 

 

Era uma vez uma menina

Mariana ela se chama

Já não era pequenina

E fez chichi na cama.

 

Abriu os olhos e acordou

Tinha a cueca molhada

Muito triste ela ficou

Surprêsa e admirada

 

Com alguma brincadeira

Ela estava a sonhar

Foi logo para a banheira

Um belo banho tomar.

 

Muitos sonhos e chichis

Te deseja esta amiga

Não vamos pedir-te BIS

Nem quero fazer intriga.

 

Quando eu era pequenina

Usava fitas e laços

Agora que sou velhinha

Dou-te beijos e abraços.

 

Muitos beijinhos da Lalai


 

Feitos à irmã Natália, quando do seu aniversário.

 

No dia treze do mês onze

Algo invulgar aconteceu

Uma menina de bronze

Caìu ao chão e nasceu.

 

Já existia uma mana

Bondosa mas imprudente

Um dia dá-lhe na gana

Zanga-se e parte-lhe um dente!

 

Tantos elogios sem razão

Só tenho que agradecer

Prometo na outra encarnação

Dôce, meiga, beijar até poder!

 

Tenho defeitos e qualidades

Como qualquer imortal

Sem cortiça, sem herdades

A vida não me é fatal!

 

Dôce não sou de verdade

Nem tão pouco beijoqueira

Mas digo com lealdade

Que entra mosca ou sai asneira!

 

Tenho feito pouco ou nada

Para me poder orgulhar

Quando o reinado acabar

A minha presença acabada

Umas lágrimas vão deitar.


 

Feitos a 2 de Janeiro de 2004, nas férias de Natal em casa da avó Lili, a pedido de Mariana, para um trabalho no Colégio.

 

 

Na noite de Ano Novo

Com a mana e o primo

Tocámos gaitas e dançámos

Pulámos e muito rimos.

 

Na casa da avó Lili

Foi uma noite engraçada

Com o pai, avós, bisavós

Numa grande palhaçada !


 

Para a irmã Natália

 

Março de 2012

 

Não somos irmãs gémeas

Não somos inimigas

Não somos de blasfémias

Não somos de intrigas.

 

Fomos companheiras

Quer de noite quer de dia

Fizemos muitas brincadeiras

Com grande dose de alegria.

 

Quando eramos pequenas

Mandados íamos fazer

A esperta queria apenas

Que fôsse a parva a trazer

 

À deitada é que eram elas

Nosso pai no quarto ao lado

Não queria ouvir balelas

Mas não ficava zangado.

 

A mais nova pioneira

A mais velha coitadinha

A mais nova era a primeira

A mais velha reduzidinha.

 

Continuava a paródia

Até por graça se rimava

Por isso temos glória

Do pai que nos estimava.

 

Eis aqui um mau resumo

Da nossa boa meninice

Frutos com algum sumo

Saboreados na velhice.

 

Quem não tem que fazer

Faz colheres diz o rifão

Para ocupar o lazer

Faz o que tem à mão.

 

Um passado tão longínquo

Impossível de prever

Passar dias neste vácuo

Possível de empreender.


 

Feitos ao dono da papelaria Presse Center, em Alcácer do Sal

 

 

Novembro de 2011

 

 

Um senhor muito agradável

Dono d’uma papelaria

Oxalá lhe seja viável

Ter saúde, sorte e freguesia.

 

Perante tanta insistência

Desiludi-lo não tem graça

Desejo na minha existência

Não ser julgada em praça.


 

Para a irmã Natália, quando esta começou a ficar doente com vários sintomas

 

 

21 de Agôsto de 2011

 

 

Que cansaço, que cansaço

Sentes no teu coração

O diagnóstico que faço

Foi de teres caído ao chão!

 

Uma queda ao nascer

Não é pêta, é verídico

Incrível pode parecer

Mas dá um tema lírico.

 

Feitos para a irmã Natália, como tendo sido feitos por Lili, como agradecimento da prenda de anos a esta, em Outubro de 2006.

 

 

Minha tia, tiazinha

Que perdulária tu és

Fizeste-me uma visitinha

E prendas foram logo três.

 

Como sou tua amiguinha

Ajoelho-me a teus pés

Agradecendo tua prendinha

E ficas ciente como vês

Que adoro a minha madrinha

Não porás em causa que não crês

Na minha sinceridadezinha

Com beijinhos da tua afilhadinha.

 

 

Feitos por mim, Lili, foi apenas esta tentativa

 

 

Da dos anos gostei MUITO

Das pegas que direi então?

Mas da d´hoje transbordou

De ternura meu coração!


 

Feitos à irmã Natália, por esta dizer que ía convidar para lanchar, a Chanceler Alemã Ângela Merkel, quando da sua visita a Portugal.

 

 

Teve uma ideia singular

A minha querida irmã

Para oferecer de lanchar

À Chanceler Alemã!

 

Minha querida irmã

Não te sabia aristocrata

A Chanceller Alemã

Coroava-te de prata.

 

Ai como estou meiguinha

Irmã do meu coração

Será por ser velhinha?

Não! Jamais! É pura ilusão.


 

Novembro de 2013

 

 

Como não tenho que fazer

Ponho o cérebro a trabalhar

Porque depois de jazer

Já não posso matutar.

 

Que bom ter senso de humor

Que bom ser realista

Que bom ter muito amor

Que bom não ser pessimista.

 

Tenho o cérebro a magicar

No frio que vou passar

Quando o pernil esticar

Mas estou a inventar

Um calorífero levar

Não custa experimentar

Se o invento resultar

Deus Nosso Senhor me vai louvar !


 

Sem data

 

 

Cheguei a velha sem ambições

Garanto que é verdade

Não abundavam os tostões

Escassa era a oportunidade

Não tive pretensões

De igualar-me à fina sociedade

Algumas preocupações

Resolvidas com dificuldade

Bôas e más recordações

Repletas de saudade.


 

Para a irmã Natália

 


2005

 

 

Natália, Tai ou Taizinha

Da família és conhecida

Foste sempre engraçadinha

Tua mana não convencida.

 

Alguém te chamou repuxinha

Alcunha não conhecida

Eras traquina irmã minha

E eu Bela Adormecida.

 

Antes que fique amargo

A papa dôce acabou

Pómos o coração ao largo

Mas bôa recordação ficou.


 

Para a neta Mariana

 

 

21 de Março de 2006

 

 

 

Querida Marianita

 

 

Em dia da Poesia

Não posso ficar mal vista

Uma bisneta com sabedoria

Já política e Cavaquista

Daqui envio uma vénia

Por julgar-te altruísta

Só escrevo porcaria

A uma pensadora futurista

Não sendo pessimista

Se sigo nesta euforia

Reza por mim uma Avé Maria.

 

Muitos beijinhos da Maluquinha não de Arroios mas de Alcácer do Sal


Lalai

Enviado às professoras e amigas Maria Lúcia de Freitas Rosado e Luísa Rama de Oliveira, quando do aniversário de casamento

 

13 de Fevereiro de 1968


Um convite

 

E para comemorar

Vinte e nove anos passados

Umas amigas p’ra conversar

Podem tornar-se animados.

 

Aproxima-se a velhice

Cá por dentro que tristeza

Poderá ser patetice

Mas inda tem sua beleza.

 

Mesmo sem grande recurso

Consegui algo de novo

Influência do concurso

GRANDE POETA É O POVO.

 

Sendo bôas professoras

Não me queiram reprovar

P’ra fazer versos minhas senhoras

O que é preciso é rimar.

 

Dia treze faz um ano

Que uma carta recebi

Duma amiga não me engano

Pois provou-o quando a li.

 

Mais um que se passou

Vinte e nove vamos fazer

Como banquete não dou

Gostaria de as cá ter.

 

Uma noite está prometida

E não há meio de chegar

Espero muito convencida

Que podem aproveitar.

 

Não é um fim-de-semana

Nem tão pouco um feriado

Só se o sono não me engana

For ele o grande culpado.


 

Para o neto Tomás

 

 

23 de Agosto de 2005

 

 

Sou uma leiga em religião

Não posso portanto falar

Gostaste de fazer a comunhão

Não deves isso olvidar.

 

No momento da confissão

Creio teres dito a verdade

Nosso Senhor te deu perdão

P’ra toda a eternidade.

 

Por bom caminho deves seguir

Já que acreditas em Deus

Desejos de um bom porvir

Pedindo ajuda a S. Mateus.

 

Que sejas um bom cidadão

Com um futuro mui bonito

Alegra o nosso coração

Comigo já no infinito.

 

O teu Deus idolatrado

Ter-te-á elucidado?

Em nada alvoriado

Estares compenetrado

Usufruíres bom ordenado

Para seres um felizardo?

Espero não teres pecado

Com este meu arrazoado

Nem tão pouco magoado

Jesus foi crucificado

E por muitos é amado

Na tua memória fique gravado

Este acto tão elevado

Seres um homem honrado

Digno de seres estimado

Depois de um sermão beatificado

Já estás santificado

Junto ao Altar perdoado.

 

 

AMÉM


 

Para a irmã Natália

 

 

18 de Maio de 2013

 

 

Ao nascer caiu ao chão

Foi uma queda tremenda

Por causa do trambolhão

Nunca jámais teve emenda.

 

Foram os anos passando

Cada vez mais caduca

Histórias vai inventando

Que põem a família maluca.


 

Junho de 2011

 

 

Feitos a Lili, Amália, Stella e Anita, quando da ida destas no dia 12 de Junho, à feira de Oeiras comer sardinhas assadas.

 

 

Quatro grandes amigas

Foram comer sardinha assada

Não quiseram ir em cantigas

De terem uma grande noitada.

 

Quatro estados civis

Uma solteira, uma casada

Para ficarem vis-à-vis

Uma viúva e uma divorciada!

 

Amália, solteira

Anita, casada

Stella, viúva

Lili, divorciada


 

Feito e colocado pendurado no candeeiro da casa de jantar, quando dos seus 90 anos, para que todos ao entrarem pudessem ler.

 

 

NESTE PRONTO A COMER

É SÓ ESCOLHER

 

ESTE ALMOÇO NÃO É UMA FESTA

MAS SIM UM GRANDE PIQUENICÃO

A AMIZADE NÃO SE VÊ NA TESTA

MAS NO VOSSO CORAÇÃO!

 


 

À irmã Natália

 

 

A minha mana tem uma amiga

Cujo nome é Gracinda

Como não sou de intriga

Quer pôr-me na berlinda.

 

Propõe-me uma obrigação

Que não tem eira nem beira

Passar a ser devoção

Telefonar à quarta-feira.

 

Só tenho que agradecer

Este sinónimo de simpatia

Não me faz engrandecer

Sim uma dose de alegria.

 

Ai como estou meiguinha

Mana do meu coração

Será por estar velhinha

Não! É pura ilusão.


 

Verão de 2012, quando da escolha das telhas. para o novo telhado do prédio.

 

 

Que barafunda de telhado

Por haver falta de dinheiro

Quem não era prejudicado

Passou a ser o primeiro.

 

Perentoriamente falando

Não tenho perlimpimpim

Senão sobrinho Fernando

O telhado não era assim.

 

È triste não ter dinheiro

Não ter saúde mais doloroso

Não consigo mealheiro

Que o rendimento é penoso.

 

Por enquanto vai chegando

Sem ter de pedir à vizinha

A filha vai poupando

Para ajudar a mãezinha!

 

Pertenço à irmandade

Que nasceu em bôa hora

Apesar de tenra idade

Não sou má administradora.

 

Livro de actas não assino

Pode saír grande asneira

Enquanto tiver algum tino

Serei de gestora a porteira.

 

A quanto obrigas telhado

Fazer rimas sem preceito

A irmandade lado a lado

Dizem que não é defeito.

 

Ser mais velha que ilusão

Cabeça de casal não favorece

As manas em consoção

Proíbem e rezam uma prece.


 

Para a irmã Natália

 

 

Era uma vez uma mana

Que não é carochinha

A realidade não engana

Está muito doentinha.

 

São os dentes careados

Que provocam infecções

Não foram abençoados

Devido aos trambolhões.

 

Que dentuça tão rançosa

Te faz andar aflitinha

Pareces uma ovelha ranhosa

Atrás duma cabritinha.

 

Na cabritinha não mamaste

Nunca ouvi falar em tal

Naturalmente a vizinha

Olvidou tão grande mal.


 

Feitos a ela, depois de fazer os 92 anos

 

 

Vinte e nove anos? Que ilusão

Ter cabeça sem cabelo

Dizer com comoção

Valia mais ter que parecê-lo.

 

Vinte e nove ao contrário

Garantia da verdade

Enfiados num rosário

Rezam leviandade.

 

Que pessoa tão afastada

De queridos tão chegados

Como não é abastada

Deixa beijos e abraços.

 

Que pessoa tão forreta

Embirrante, mal-encarada

Hipocrisia será trêta

Confesso algo admirada.

 

Mentalidade tacanha

Dúvidas não há! Que sou

A evolução é tamanha

Retrocedeu e…parou.

 

Gosto muito de rimar

Asneiras e parvoíces

Gosto muito de brincar

Inventando aldrabices.

 

Sou a mais velha do trio

Duvido se prevalece

Lembrando fio a pavio

Sem vaidade enaltece.

 

Quem me dera, quem me dera

Ter sido grande heroína

Garanto não era bera

Nem precisava de naftalina.


 

Feitos para o Paulo, a pedido do Nuno

 

 

Paulo, meu grande amigo

Desde a nossa inocência

Abstraír-me não consigo

Da nossa convivência.


 

Feitos a ela própria, depois de ter ido aos Correios com os sapatos trocados, e ter sido uma senhora a chamar-lhe a atenção

 

 

Calçar sapatos ao contrário

Sem ter dôr nem sacrifício

Vou registar no Cartório

Depois meto-me num hospício.

 

Foi um caso tão notório

Que ía caindo num precipício

Para não dar falatório

Que seria um desperdício.

 

Depois deste somatório

Que só traz malefício

Surgiu um vírus inflamatório

Que acabou com este vício.

 

Cursada no Conservatório

Não tirei algum benefício

Acabo com este reportório

Que é maluquice não é ofício.

 

Por este motivo … manicómio

 

NÃO HÁ QUE HESITAR


 

Para Mariana em Janeiro de 2014 depois de eu, Lili, lhe ter lido umas quadras feitas pela Lalai

 

 

Uma bisneta amorosa

Afiançou que sou maluca

Com uma medalha honrosa

Inferiorizou a minha cuca.

 

Marianita, Marianita

Confesso que achei graça

Óh Deus não faças fita

Dá saúde à morenaça.

 

 

A palavra empregue não foi maluca, mas sim -------------------


 

Para as manas Natália e Conceição, depois de uma confusão de trocos que tiveram

 

 

2 de Fevereiro de 2014

 

 

Barafunda dum dinheirão

Houve nesta irmandade

Duas dívidas em questão

Não lesava a sociedade!

 

A nossa mana do coração

Teimosa não queria crer

A mais nova tinha razão

A mais velha que dizer?

 

A mais nova barafustou

Até a do meio convencer

A mais velha recuperou

Os euros que tinha a haver!

 

Não chegou à violência

Uma amiga nos visitou

Deu razão à evidência

E o duelo acabou!


 

Para a Lili

 

7 de Março de 1997

 

 

Lili

 

Tenho estado a magicar

Na conversa telefónica

A tua colega há-de pensar

Que sou uma paranoica!

 

Gostaria de saber

Com alguma expectativa

Que retrato pode fazer

Tirado da tua objetiva?

 

Já sabes de ante-mão

Que não sou bôa de assoar

Não é p´ra ti ilusão

Nem eu os quero enganar!

 

Neste momento tão pensativo

O que eu havia de dar

Talvez sirva de lenitivo

P´ra poder aliviar!

 

Se aquilo que a gente sente

No exterior refletisse

Ainda bem… pois somente

Seria uma grande chatice!

 

Assim dou por terminado

A paciência esgotou

Vou virar-me para o lado

E ficar aonde estou!

 

 

Oh! Que surpresa.

 

Oxalá esta carta inesperada te vá suavizar um pouco a tristeza que tens, pois pela experiência que tenho nada remediamos, e faz-nos mal ao corpo e ao espírito. Eu digo sempre que os momentos bons não compensam os maus e devo estar certa. Fico por aqui com beijinhos para todos.

 

 

Maria Adelaide


 

Abril, 30, 2014

 

 

Para Mariana, nos seus 18 anos

 

 

Parabéns Marianita

Um beijo sem extensão

Quando eras pequenita

Uns anos que já lá vão

Só adoravas a Tita.

 

À bisneta Mariana

Saúde, sorte, bom futuro

Como não é leviana

Casamento feliz auguro.

 

Após o curso acabado

Que mais se ambiciona

Emprego remunerado

E descanso na poltrona.

 

Malandra ela me chama

Igual a pornográfica

A bisavó não reclama

Confesso que fico estática.


 

Para o neto Pedro, nos seus 52 anos

 

 

20 de Maio de 2014

 

 

Que neto tão extremoso

Tenho na minha memória

Penso não ser mentiroso

Para não ficar na história.

 

Quando era criança

Que menino endiabrado

Não era de confiança

O meu neto adorado.

 

Fez a primeira classe

Com uma bôa professora

Quando acabou o trespasse

Abalou e foi-se embora.

 

Para não perder o ano

Em Alcácer emigrou

Pa não ser desumano

O castigo acabou.

 

Homem de sete ofícios

Tem jeito para tudo fazer

Não é isento de vícios

A verdade tem que se dizer.

 

Um neto idolatrado

Uma avó desnaturada

Um neto desmiolado

Uma avó muito atilada.


 

Para Tomás nos seus 18 anos

 

 

21 de Maio de 2014

 

 

Meu bisneto querido

Quem te viu, quem te vê

Parece que andas fugido

Qual o motivo e porquê?

 

Falta de amizade?

Falta de recordação?

Falta de sinceridade?

Falta sim de compaixão.

 

Que bom seria ouvir dizer

Tomás acabou o curso

Bôa vontade prevalecer

Bôa vontade de recurso.

 

Dezoito anos garante

Atingir a maioridade

Um curso gratificante

Que não sirva de vaidade.

 

Quem te quer bem gostaria

De um futuro agradável

A ninguém ocorreria

Uma vida não estável.


 

Enviados a Lili, por a irmã Natália fazer histórias de tudo e eu dar sempre continuação à história, ainda que sem ser em verso.

 

 

9 de Julho de 2014

 

 

Numa gaveta guardada

Estava uma camisola

Mas nunca era usada

À dona não dava na tola.

 

Inventou uma história

Para contar à sobrinha

Deus as tenha em glória

São quási igualzinha.

 

Tanto filha como irmã

São algures diferentes

Precisam dum talismã

Para se sentirem contentes.

 

Òh que irmã, òh que filha

Serem da mesma opinião

Não leram na mesma cartilha

Nem são da mesma geração.


 

Agosto de 2008

 

 

Com tanta flôr plantada

Ainda fora do ataúde

Que eu esteja implantada

De boa disposição e saúde.

 

 

Adeus e muito obrigada


 

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